27/09/06
O sorriso misterioso de Monalisa é a de uma mulher que
acaba de dar à luz, revelou um estudo canadense baseado
em imagens digitais em três dimensões, que detectou
originalmente que a jovem retratada usava um vestido usado por
mães recentes e o cabelo preso.
Pesquisadores
do Conselho Nacional de Pesquisas do Canadá (National Research
Council of Canada, NRC) anunciaram em entrevista coletiva, em
Ottawa, os resultados do estudo com as primeiras imagens tridimensionais
da obra de arte, que obtiveram graças a um complexo scanner
a laser.
"Esta
é a 'Monalisa' como nunca vista antes", disse o presidente
do NRC, Pierre Coulombe.
Uma
equipe de cientistas do NRC viajou para Paris em outubro de 2004
para fazer a análise na famosa pintura a pedido do Centro
de Pesquisas e Restauração dos Museus da França
(CRRMF).
A
exploração tridimensional revelou que a dona do
sorriso enigmático foi pintado originalmente com o cabelo
preso em um coque, embora hoje pareça usá-lo solto
sobre os ombros.
A
revelação pôs um fim a uma antiga polêmica,
porque só meninas ou mulheres de má reputação
usavam o cabelo solto na Itália do século XVI, informou
um líder do projeto CRRMF Bruno Mottin, e a Monalisa verdadeira
era uma mulher de elevado estrato social.
Uma
de suas peças, similar às usadas na época
pelas grávidas ou as mulheres que amamentavam, também
se perdeu sob o esmalte amarelo e não é mais visível
a olho nu, demonstraram os estudos.
"Isto
é algo que nunca tinha sido visto até agora",
disse Mottin.
A
Monalisa verdadeira teve três filhos. Da Vinci recebeu a
encomenda do rico empresário florentino Francesco del Giocondo
para que pintasse sua esposa entre 1503 e 1506, depois do nascimento
do segundo filho do casal, mas o pintor acabou ficando com a obra
e trabalhou nela até a sua morte, mudando o cabelo e outros
aspectos do quadro.
Na
pintura original, a mulher agarra a cadeira mais firmemente e
não está recostada, como alguns acreditam, mas sentada
ereta, demonstraram os exames com scanner.
Os
cientistas também obtiveram dados sobre a técnica
de pintura de Da Vinci, inclusive seu famoso 'sfumato' ou técnica
de esfumação dos contornos, disse Mottin.
"Não
há um mistério especial na pintura como em (livro
de Dan Brown) 'O Código Da Vinci'", afirmou. "Mas
nesta pintura, Leonardo tentou capturar a essência da vida
(...). Demonstra todas as suas habilidades (...). Este é
o verdadeiro mistério que descobrimos", concluiu.
Os
exames em scanner tridimensional foram feitos em duas noites,
em outubro de 2004, antes de a obra ser colocada em uma nova caixa
envidraçada no museu do Louvre.
As
novas imagens permitirão aos curadores continuarem sua
pesquisa sem tocar no quadro, bem como provar novas técnicas
de restauração no modelo 3D antes de aplicá-las
na tela original, disse Taylor.