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Esporte
contribui para corrigir limitações
impostas por “superproteção”
a deficientes |
21/08/07
- Falta de informação e excesso de cuidados
faz pessoas “atrofiarem” desenvolvimento motor
de portador de necessidades especiais. Parapan e Mundial
dos Cegos são eventos que auxiliam com exemplos
de superação
A realização de eventos esportivos de grande
porte com atletas deficientes no Brasil – como os
Jogos Parapan-americanos Rio 2007, que acontecem até
o próximo domingo, 19, e os III Jogos Mundiais
da ISBA (International Blind Sports Association), o Mundial
dos Cegos, realizado neste mês em São Caetano
do Sul (SP) – contribuem para alertar pais e educadores
sobre um problema que pode comprometer o desenvolvimento
da criança deficiente.
Devido
à falta de informação e pela preocupação
natural em evitar acidentes – como quedas e colisão
com objetos – muitos adultos “cercam”
a criança deficiente de cuidados que, se feitos
em excesso, comprometem o desenvolvimento de sua coordenação
motora ao longo dos anos. “A criança com
deficiência de qualquer natureza deve brincar, correr
e praticar atividade física; assim como acontece
com as demais crianças”, lembra o médico
ortopedista Ari Zekcer, cirurgião de joelho e especialista
em medicina desportiva pela Unifesp. “Só
assim ela vai ampliar a noção espacial e
adquirir independência”.
A atividade física regular traz uma série
de benefícios aos portadores de necessidades especiais.
Pesquisas indicam que a adesão a práticas
esportivas propicia melhora da locomoção,
equilíbrio, noção espacial, conscientização
corporal, agilidade e amplitude dos movimentos em geral,
entre outros. “Há casos de deficientes visuais,
por exemplo, que afirmam adquirir mais capacidade para
completar atividades da vida diária sem ajuda”,
afirma Dr. Zekcer.
O
esportista também tem um ganho substancial de força
e resistência muscular. Isso ajuda sobremaneira
às pessoas com condições crônicas
incapacitantes. Outro detalhe é que há uma
diminuição do índice de perda de
densidade óssea, redução de sintomas
de depressão ou ansiedade, aumento da auto-estima,
da confiança e da sensação de bem-estar,
bem como da percepção de melhor aceitação
por parte de indivíduos não-deficientes.
“A
divulgação na mídia de casos de superação
como os vistos no Parapan e nos Jogos Mundiais dos Cegos
são relevantes para que as pessoas saibam o quanto
o esporte colabora para que essas pessoas possam enfrentar
as dificuldades diárias, ser inseridas na sociedade
e conquistar qualidade de vida”, conclui.
O
Parapan
Os
Jogos Parapan-americanos Rio 2007 acontecem de 12 a 19
de agosto e reúne cerca de 1,3 mil atletas de 25
países. Serão disputadas dez modalidades:
Atletismo, Basquetebol em Cadeira de Rodas, Futebol de
5, Futebol de 7, Halterofilismo, Judô, Natação,
Tênis de Mesa, Tênis em Cadeira de Rodas e
Voleibol Sentado. A delegação brasileira
vai contar com 248 atletas. Já a seleção
canadense terá 92 atletas e a Venezuelana 124 atletas,
por exemplo.
Mundial
dos Cegos
O
III Jogos Mundiais da ISBA (International Blind Sports
Association), o Mundial dos Cegos aconteceu em São
Caetano do Sul, na Grande São Paulo, de 28 de julho
a 8 de agosto. As disputas reuniram mais de 1,6 mil atletas
de 63 países, divididos em sete modalidades esportivas.
O Brasil subiu ao pódio 58 vezes e ficou com o
terceiro lugar no quadro geral de medalhas, conquistando
17 ouros, 22 pratas e 19 bronzes, sendo superado somente
por Rússia e Belarus (antiga Bielorússia).
Dr.
Ari Zekcer