Brasília
- Uma antiga discussão sobre o fim do Senado ganhou
corpo durante o 3º Congresso do Partido dos Trabalhadores.
De acordo com a proposta, o legislativo brasileiro deveria
passar a ser unicameral, ou seja, constituído apenas
de uma Casa (no caso, a Câmara dos Deputados).
Os
defensores da extinção do Senado afirmam que
se o legislativo contar apenas com a Câmara, o processo
de elaboração e aprovação de
leis ganhará mais agilidade; sem contar que a barganha
diminuirá drasticamente.
Entretanto,
historicamente, o Senado é a Casa do equilíbrio,
da serenidade. Além de contar com apenas 81 membros
(ao contrário dos 511 da Câmara), e invariavelmente
com três representantes por Estados e pelo Distrito
Federal, os senadores têm que ter a idade mínima
de 35 anos para aprovar a indicação de embaixadores,
ministros de tribunais superiores; e de analisar as propostas
que vêm da Câmara e produzir as suas próprias.
Talvez
o calvário pelo qual passa o presidente do Senado
contribua para essa discussão. O senador Renan Calheiros
(PMDB-AL) é a Geni da vez do Congresso, e semanalmente
as revistas chegam com mais denúncias contra ele.
A última delas afirma que o peemedebista recebia
propina de ministérios controlados pelo PMDB.
A
novidade é que a mais recente denúncia publicada
contra Renan também envolve o líder do governo
no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), que assim como
Renan também nega tudo.
Uma
das maiores contribuições de Renan para o
Senado é que sob a sua presidência a discussão
sobre a extinção dessa Casa legislativa promete
ganhar mais consistência. O que era o contraponto
de serenidade e respeitabilidade no Congresso, sob a batuta
de Renan ganhou outros ares.
Apesar
da discussão não ser nova, agora questiona-se
a necessidade da existência do Senado, a Casa em que
Rui Barbosa também brilhou. No entanto, se realmente
o legislativo perder o Senado, o Congresso perderá
parte importante do seu conteúdo. Inclusive perderá
até mesmo parte de sua própria arquitetura.
É
claro que em um parlamento bicameral a barganha política
é muito maior. Mas o que talvez pode estar por trás
desse desejo do PT de extinguir o Senado é que nele
o governo não conta com a maioria tão folgada
quanto tem na Câmara.
Será
que fosse o contrário, se o governo tivesse uma maioria
relativa na Câmara, enquanto que no Senado a vantagem
fosse folgada, a conversa seria a de acabar com a Câmara?
Questionamentos
à parte, o certo é que se o prédio
do Congresso brasileiro perder um ou outro “prato”,
teremos menos gente disposta a debates as leis, a aparecer
na televisão e, principalmente, teremos menos protagonistas
de escândalos.
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