Brasília
- Duas revanches, uma no futebol e outra na política,
esquentarão a semana para os brasileiros. A primeira
delas será na quarta-feira (21), em São Paulo,
no estádio do Morumbi. O Brasil enfrentará
o Uruguai pelas eliminatórias da Copa do Mundo. E,
diga-se de passagem, jogar contra essa seleção
é sempre uma forma de vingar o final da Copa de 1950,
quando perdemos dentro de casa para os vizinhos celestes.
A
outra revanche será na quinta-feira (22), no plenário
do Senado. Os parlamentares vão decidir se o presidente
licenciado do Congresso Nacional, Renan Calheiros (PMDB-AL),
deve perder o mandato. O peemedebista alagoano responde,
nesse caso, à acusação de ter usado
“laranjas” para comprar empresas de comunicação
em Alagoas.
Pelo
desempenho de nossa seleção contra os peruanos,
podemos começar a nos preocupar. O time não
está tão bem e precisa se arrumar muito em
campo para que a classificação para mais um
mundial seja confirmada. Se a coisa não melhorar,
teremos mais uma vez a velha agonia das eliminatórias.
Em
relação ao julgamento de Renan, a opinião
que mais se ouve é a de que ele vai, mais uma vez,
se livrar da perda do mandato. Dizem até que ele
já acertou em renunciar à presidência
em troca da preservação do cargo de senador
da República. No entanto, apesar de a possibilidade
disso acontecer ser muito grande, alguma surpresa pode acontecer
de última hora.
Renan
perdeu muita musculatura política desde que se licenciou
da presidência. Os senadores terão a oportunidade
de fechar o ano com “chave de ouro”, depois
de o Senado passar por sua pior crise institucional já
registrada.
Tudo
bem, Renan Calheiros é um hábil articulador
político e ainda é influente, sabe de muita
coisa e pode deixar o Planalto em situação
difícil caso decida contar o que sabe, principalmente
daquele período do Mensalão.
Mas,
diferente do primeiro julgamento, em que era acusado de
ter despesas pessoais pagas por um lobista, e no qual foi
absolvido; desta vez não tenho tanta certeza se Renan
vai sair vencedor mais uma vez. Repito que o mais provável
é que ele consiga um novo perdão de seus pares.
Contudo, como a análise política não
sobrevive sem uma generosa dose de “achismo”,
volto a ressaltar que a “inocência” de
Renan nesse caso não está tão garantida.
Que
a seleção brasileira de futebol, uma instituição
muitas vezes mais importante do que o Parlamento, não
repita o desempenho registrado no magro empate de 1 a 1
com o Peru. E que o Parlamento, uma instituição
que passa por uma profunda crise de credibilidade, esteja
decidido a tomar a decisão certa em relação
a Renan.
Porém,
o que mais causa angústia é que, seja no futebol,
seja no Congresso, não estamos nem perto de um nível
que possa ser classificado como aceitável.
Alto
da página