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Rodolfo Torres

Renan deve ser “penta” no Conselho de Ética

Jornalista rodolfotorres@bayoubrasil.com


08/10/07

Rodolfo TorresBrasília - Nunca na história desse país um presidente da República ficou tão refém do presidente do Congresso. Sim, o destino de Lula depende do destino do senador Renan Calheiros (PMDB-AL). Se este cair, aquele vai junto.

O clima no Senado nunca esteve tão carregado. Estão até acusando o senador alagoano de tentativa de espionagem. Mas antes, vamos tentar traçar um painel didático. No final da última quinta-feira (3), enquanto que todas as atenções dos parlamentares estavam voltadas para o julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a propriedade dos mandatos dos deputados, o PMDB de Renan deu uma punhalada em dois dos mais destacados senadores: Jarbas Vasconcelos (PE) e Pedro Simon (RS).

O partido decidiu substituir os parlamentares na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) – a comissão mais importante da Casa - por outros dois, digamos, mais “afinados” com a defesa incondicional de Renan. Jarbas e Simon foram substituídos pelos também peemedebistas Almeida Lima (SE) e Paulo Duque (RJ).

A ordem da troca dos quadros do PMDB na CCJ partiu depois que a comissão aprovou um projeto, relatado por Jarbas, que afasta da Mesa Diretora, corregedoria, Conselho de Ética e presidência de comissões o senador que responder a processo no Conselho de Ética.

O projeto aprovado ainda impede que um senador relate o processo de um colega de partido. Atualmente, Renan responde a três processos no Conselho de Ética. Sob ele pesam acusações de favorecer uma cervejaria com dívidas no INSS; de usar laranjas para comprar empresas de comunicação em Alagoas; e de ser beneficiário de um esquema de desvio de verbas em ministérios controlados pelo PMDB.

Essa quarta representação, à do desvio de verbas em ministérios, será relatada por Almeida Lima. Ele, que foi um dos três relatores da primeira representação, aquela que acusava Renan de ter despesas pessoais pagas por um lobista – desta ele já foi absolvido – apresentou voto em separado pedindo a absolvição de Renan. No entanto, o relatório levado a plenário, dos senadores Renato Casagrande (PSB-ES) e Marisa Serrano (PSDB-MS), pedia a cassação de Renan.

Mas vamos à tentativa de espionagem. A revista Veja e o jornal Folha de S. Paulo saíram com mais uma denúncia contra o presidente do Senado. Segundo esses veículos, um assessor especial de Renan, chamado Francisco Escórcio, tentou armar um esquema para filmar e fotografas os senadores goianos Demóstenes Torres (DEM) e Marconi Perillo (PSDB).

Um empresário dono de um hangar no Aeroporto de Goiânia teria sido procurado pelo assessor de Renan para participar do esquema. No entanto, ao invés de instalar as câmeras e aguardar que os senadores utilizassem jatinhos de empresários da região, para que depois as imagens servissem de objeto de chantagem; o empresário lgou para o amigo Demóstenes.

De acordo com o líder do DEM no Senado, José Agripino (RN), o partido vai ouvir Renan. Se a explicação não convencer, a quinta representação contra o peemedebista das Alagoas já será despachada para, quem sabe, virar o quinto processo contra o presidente do Congresso Nacional do Brasil.

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