Brasília
- Nunca na história desse país um presidente
da República ficou tão refém do presidente
do Congresso. Sim, o destino de Lula depende do destino
do senador Renan Calheiros (PMDB-AL). Se este cair, aquele
vai junto.
O
clima no Senado nunca esteve tão carregado. Estão
até acusando o senador alagoano de tentativa de espionagem.
Mas antes, vamos tentar traçar um painel didático.
No final da última quinta-feira (3), enquanto que
todas as atenções dos parlamentares estavam
voltadas para o julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF)
sobre a propriedade dos mandatos dos deputados, o PMDB de
Renan deu uma punhalada em dois dos mais destacados senadores:
Jarbas Vasconcelos (PE) e Pedro Simon (RS).
O
partido decidiu substituir os parlamentares na Comissão
de Constituição e Justiça (CCJ) –
a comissão mais importante da Casa - por outros dois,
digamos, mais “afinados” com a defesa incondicional
de Renan. Jarbas e Simon foram substituídos pelos
também peemedebistas Almeida Lima (SE) e Paulo Duque
(RJ).
A
ordem da troca dos quadros do PMDB na CCJ partiu depois
que a comissão aprovou um projeto, relatado por Jarbas,
que afasta da Mesa Diretora, corregedoria, Conselho de Ética
e presidência de comissões o senador que responder
a processo no Conselho de Ética.
O
projeto aprovado ainda impede que um senador relate o processo
de um colega de partido. Atualmente, Renan responde a três
processos no Conselho de Ética. Sob ele pesam acusações
de favorecer uma cervejaria com dívidas no INSS;
de usar laranjas para comprar empresas de comunicação
em Alagoas; e de ser beneficiário de um esquema de
desvio de verbas em ministérios controlados pelo
PMDB.
Essa
quarta representação, à do desvio de
verbas em ministérios, será relatada por Almeida
Lima. Ele, que foi um dos três relatores da primeira
representação, aquela que acusava Renan de
ter despesas pessoais pagas por um lobista – desta
ele já foi absolvido – apresentou voto em separado
pedindo a absolvição de Renan. No entanto,
o relatório levado a plenário, dos senadores
Renato Casagrande (PSB-ES) e Marisa Serrano (PSDB-MS), pedia
a cassação de Renan.
Mas
vamos à tentativa de espionagem. A revista Veja e
o jornal Folha de S. Paulo saíram com mais uma denúncia
contra o presidente do Senado. Segundo esses veículos,
um assessor especial de Renan, chamado Francisco Escórcio,
tentou armar um esquema para filmar e fotografas os senadores
goianos Demóstenes Torres (DEM) e Marconi Perillo
(PSDB).
Um
empresário dono de um hangar no Aeroporto de Goiânia
teria sido procurado pelo assessor de Renan para participar
do esquema. No entanto, ao invés de instalar as câmeras
e aguardar que os senadores utilizassem jatinhos de empresários
da região, para que depois as imagens servissem de
objeto de chantagem; o empresário lgou para o amigo
Demóstenes.
De
acordo com o líder do DEM no Senado, José
Agripino (RN), o partido vai ouvir Renan. Se a explicação
não convencer, a quinta representação
contra o peemedebista das Alagoas já será
despachada para, quem sabe, virar o quinto processo contra
o presidente do Congresso Nacional do Brasil.
Alto
da página