Bayou Brasil
Bayou Brasil
bayoubrasil.info

Bayou Brasil
Bayou Brasil
Bayou Brasil You TubeRESTAURANT
BAYOU BRASIL

TV. Sabor a mí

Rodolfo Torres

Um poder lava o outro

Jornalista rodolfotorres@bayoubrasil.com


17/09/07

Rodolfo TorresBrasília - Congresso está de ressaca. O país não consegue esquecer a absolvição do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), na última quarta-feira (12). E para piorar o quadro, Renan (presidente do Legislativo) vai se encontrar com o Lula (presidente do Executivo) nesta semana.

Comenta-se que Lula vai pedir para que Renan se afaste de seu cargo enquanto o clima no Parlamento se normaliza. A oposição promete obstruir as votações no Senado, local que o governo não conta com uma maioria tão generosa quanto na Câmara (a proposta será votada em primeiro turno esta semana pelos deputados).

E o governo precisa dos senadores oposicionistas para aprovar a menina dos olhos do governo em forma de proposta: a prorrogação da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira). O imposto rende cerca de R$ 40 bilhões por ano. Para mencionar a importância da CPMF, basta dizer que o governo não precisa aprovar mais nada neste ano, apenas o malfadado “imposto do cheque”.

Por sua vez, dizem cá que Renan vai comunicará ao presidente da República que não vai se afastar do seu cargo como quer a cúpula palaciana. O alagoano ouviu apelos dos senadores Aloizio Mercadante (PT-SP) e José Sarney (PMDB-AP). No entanto, ele avalia que se sair do cargo, a coisa vai piorar para o seu lado.

Chegaram até a dizer que Renan vai dizer para Lula: “Eu ajudei o governo na época do mensalão, agora o governo vai ter que me ajudar.” E pelo que se comenta por aqui, uma outra parcela da ajuda do Planalto virá ainda nesta semana, na forma do arquivamento da segunda representação contra Renan no Conselho de Ética.

O relator, senador João Pedro (PT-AM), não adiantou qual será o seu voto. Mas ele não pediu novos documentos, não solicitou depoimentos. Vai se basear exclusivamente numa reportagem da Veja e numa carta escrita pelo próprio Renan.

Mas o inferno institucional não está perto de terminar. Senadores de seis partidos (DEM, PSDB, PSB, PDT, Psol, e até do PMDB, partido de Renan Calheiros) querem mais do que tudo nessa vida que processos de cassação de mandato sejam apreciados em sessões abertas.

Em se tratando de política, tendo sempre a acreditar no pior. E confesso que esse tipo de pensamento auxilia bastante a atividade de um pretenso analista. Portanto, essa conversa de abrir as votações é a legítima tentativa de senadores de não se enlamearem após uma decisão que desagradou geral.

Ah, e para piorar a vida dos que cobrem o Congresso Nacional, a CPI do Apagão Aéreo da Câmara dará seu último suspiro midiático e apresentará seu relatório final ainda esta semana. Com todo o respeito do mundo aos familiares das vítimas, essa comissão não tinha jeito de despertar interesse.

Alto da página