Brasília
- Congresso está de ressaca. O país não
consegue esquecer a absolvição do presidente
do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), na última quarta-feira
(12). E para piorar o quadro, Renan (presidente do Legislativo)
vai se encontrar com o Lula (presidente do Executivo) nesta
semana.
Comenta-se
que Lula vai pedir para que Renan se afaste de seu cargo
enquanto o clima no Parlamento se normaliza. A oposição
promete obstruir as votações no Senado, local
que o governo não conta com uma maioria tão
generosa quanto na Câmara (a proposta será
votada em primeiro turno esta semana pelos deputados).
E
o governo precisa dos senadores oposicionistas para aprovar
a menina dos olhos do governo em forma de proposta: a prorrogação
da CPMF (Contribuição Provisória sobre
Movimentação Financeira). O imposto rende
cerca de R$ 40 bilhões por ano. Para mencionar a
importância da CPMF, basta dizer que o governo não
precisa aprovar mais nada neste ano, apenas o malfadado
“imposto do cheque”.
Por
sua vez, dizem cá que Renan vai comunicará
ao presidente da República que não vai se
afastar do seu cargo como quer a cúpula palaciana.
O alagoano ouviu apelos dos senadores Aloizio Mercadante
(PT-SP) e José Sarney (PMDB-AP). No entanto, ele
avalia que se sair do cargo, a coisa vai piorar para o seu
lado.
Chegaram
até a dizer que Renan vai dizer para Lula: “Eu
ajudei o governo na época do mensalão, agora
o governo vai ter que me ajudar.” E pelo que se comenta
por aqui, uma outra parcela da ajuda do Planalto virá
ainda nesta semana, na forma do arquivamento da segunda
representação contra Renan no Conselho de
Ética.
O
relator, senador João Pedro (PT-AM), não adiantou
qual será o seu voto. Mas ele não pediu novos
documentos, não solicitou depoimentos. Vai se basear
exclusivamente numa reportagem da Veja e numa carta escrita
pelo próprio Renan.
Mas
o inferno institucional não está perto de
terminar. Senadores de seis partidos (DEM, PSDB, PSB, PDT,
Psol, e até do PMDB, partido de Renan Calheiros)
querem mais do que tudo nessa vida que processos de cassação
de mandato sejam apreciados em sessões abertas.
Em
se tratando de política, tendo sempre a acreditar
no pior. E confesso que esse tipo de pensamento auxilia
bastante a atividade de um pretenso analista. Portanto,
essa conversa de abrir as votações é
a legítima tentativa de senadores de não se
enlamearem após uma decisão que desagradou
geral.
Ah,
e para piorar a vida dos que cobrem o Congresso Nacional,
a CPI do Apagão Aéreo da Câmara dará
seu último suspiro midiático e apresentará
seu relatório final ainda esta semana. Com todo o
respeito do mundo aos familiares das vítimas, essa
comissão não tinha jeito de despertar interesse.
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