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27/03/07
Analistas políticos costumam afirmar que a prática não foi invenção do PT, mas que o partido do presidente da República teria aperfeiçoado a técnica, ou perdido os pudores, ou a aplicado em escala industrial. Quando o deputado cassado e atual presidente do PTB, Roberto Jefferson, denunciou o esquema ao jornal Folha de S.Paulo, mais ou menos no meio do ano de 2005, muita gente tinha a mais profunda convicção de que o governo Lula acabaria ainda naquele ano. Mas o que se verificou foi o contrário. O governo saiu fortalecido do episódio e o presidente se reelegeu com uma votação histórica. O Procurador pode dizer que existiu "uma sofisticada organização criminosa" por trás do pagamento mensal de propina a deputados, pode afirmar que espera “que o Supremo acolha a denúncia e decida abrir ação penal”, pode falar o que bem entender. Mas o governo Lula já foi absolvido. No Brasil, eleição também serve de tribunal. Se um político é acusado de corrupção e consegue renovar o seu mandato, ou até mesmo se elege para um outro cargo, ele está absolvido de todas as acusações. Até mesmo porque ele tem direito ao foro privilegiado, que na prática significa dizer que ele não será condenado. Recordo de um episódio bastante ilustrativo. No final do ano passado, o Supremo anunciou que ia fazer alguma coisa com a denúncia contra os que teriam praticado o mensalão. E todo mundo sabe como são as mulheres e o Judiciário brasileiro: cheios de mistérios. Como ninguém entende muito bem o funcionamento desse vai e vem de papeis, lá foi um monte de gente perguntar a um ministro do Supremo Tribunal Federal sobre quando o inquérito (ou seja lá que nome os papéis tenham) que apurava o mensalão seria concluído. E o ministro, com um sorriso indisfarçável, respondeu aos jornalistas: “quando vocês estiverem bem velhinhos”. Diante de uma situação destas, melhor mesmo é seguir a receita de boa vivência dos mais sábios: esquecer. Devemos esquecer o mensalão, assim como quem esquece de um morto indesejável. Ninguém será punido, como é de praxe por aqui. O que esse caso pode provocar é irritação, desgosto e desilusão em alguns. E que fique bem claro: em alguns. Uma pesquisa que avalia o governo Lula acaba de ser divulgada pelo noticiário televisivo de final de domingo. 48% dos entrevistados consideram o governo ótimo ou bom; 37% consideram o desempenho do governo regular; e 14% acham que o governo ruim ou péssimo. Diante de números como estes, não há muito o que se fazer. Apenas reconhecer que, infelizmente, eles venceram. O que não deixa de ser uma pena. Aliás, a maior das penas para todos nós. Menos para eles.
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