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Rodolfo Torres

A morte de um grande

Jornalista rodolfotorres@bayoubrasil.com

 

30/04/07

Rodolfo Torres Brasília - Apesar da profissão não contar com o prestígio que merece, às vezes o jornalismo consegue ser célebre. É verdade que isto é raro. Chega a até mesmo a ser um acontecimento quando o jornalista é respeitado em terras brasileiras. Mas ainda contamos com alguns casos. Exemplo: o empresário das comunicações, que revisava os editoriais a lápis, Octavio Frias de Oliveira, publisher do Grupo Folha.

Octavio Frias morreu nesse domingo (29), lá pelas 15h 30. Pelo que pude ler no próprio site da Folha, em novembro passado ele foi submetido a cirurgia para remoção de hematoma craniano devido a uma queda doméstica. Frias teve alta hospitalar na passagem do ano, entretanto seu estado de saúde piorou nas últimas semanas.

O presidente Lula divulgou nota no início da noite do domingo, lamentando a morte do empresário. "Conheci-o nos anos difíceis em que lutávamos para superar o autoritarismo e reconquistar a democracia. Desde aquela época, ficamos amigos. Tinha por ele grande respeito e carinho", afirma a nota do Planalto. Lula também diz que o nosso país “perde um dos seus mais lúcidos e destacados homens de imprensa”.

Mas quero aqui contar um episódio, que ocorreu na época em que Lula era apenas um candidato à presidência da República. Estamos em 2002 e o petista estava na frente das pesquisas de intenção de votos. Tudo conspirava para que o país elegesse pela primeira vez um metalúrgico para o mais importante cargo da nação.

O candidato foi à sede do jornal Folha de S. Paulo, propriedade do empresário Octavio Frias e de sua família, para um almoço. Conversa vai, conversa vem, e o Octavio Frias Filho, que é quem comanda o jornal há muito tempo, faz uma pergunta óbvia e, no entanto, proibida. Perguntou o executivo ao candidato Lula algo do tipo: “O senhor acha que alguém sem diploma pode governar o país”.

E Lula, irritadíssimo, saiu do almoço esbravejando os seus lamentos mais viscerais. Sim, existe uma indagação proibida neste país. E ela é a seguinte: “Como alguém pode ser o presidente da República sem diploma do primeiro grau?”. Ora, se para varrer as ruas da pátria, precisamos de um mísero diploma de segundo grau, que hoje em dia não é mais nada, por que o presidente da República não precisa de diploma algum?

Eu bem sei que a pergunta é requentada, que diversas outras pessoas já se questionaram sobre isso. No entanto, a idade da questão não é um fator que seja capaz de diminuir o valor ou a legitimidade da questão. Lula não tem diploma nem do primeiro grau, e é, com muita justiça, o líder do país que tem uma educação deplorável. Segundo a capa do jornal O Globo da última quinta-feira (26/07), o Brasil só apresenta 10 cidades com ensino de qualidade para alunos da 1ª a 4ª série do ensino fundamental da rede pública.

Em se tratando destas circunstâncias, Lula é mais do que qualquer outro o líder irretocável do Brasil. No entanto, Octavio Frias Filho tocou no calo de Lula, que é a sua falta de diploma (tempo para conseguir um ele teve de sobra). E o nosso presidente agiu como tal e, sem argumentos, decidiu que a porta daquela sala de reunião seria o seu rumo. Nada mais certo para quem não tem como justificar o injustificável.

O que o Brasil precisa, entre outras coisas, é deste simples questionamento: por que um homem sem diploma não pode varrer as ruas desta pátria, mas pode presidir o país?