Brasília
- A proposta que prorroga por mais quatro anos a cobrança
da CPMF (Contribuição Provisória sobre
Movimentação Financeira) é a principal
moeda de troca na política brasileira no momento.
O Congresso precisa aprovar a matéria para que o
imposto continue a existir até 2011. Então,
a pressão vem de todo o lado, uma vez que estamos
falando de R$ 40 bilhões por ano.
Enquanto
a oposição ressalta que o governo não
precisa do dinheiro deste imposto, uma vez que a arrecadação
é recorde e a carga tributária colossal; o
governo destaca que sem os recursos da CPMF, programas sociais
sentirão na pele a falta de dinheiro. Os governistas
também afirmam que o orçamento de 2008 depende
deste tributo, e que ele é a melhor solução
encontrada para combater a sonegação fiscal.
O
problema é que o atual governo precisa de 49 votos
no Senado - ao total são 81 – para que a contribuição
provisória mais permanente que existe continua a
fazer parte dos nossos dias. E o governo não conta
com todos esses votos. Terá que negociar, e negociar
muito, para que os senadores não repitam a “molecagem”
adotada na votação da medida provisória
que criaria a Secretaria de Ações de Longo
Prazo (Sealopra).
Nesta
votação, os parlamentares do PMDB se uniram
à oposição e rejeitaram a criação
de mais um ministério, obrigando o presidente Lula
a dar emprego ao filósofo Mangabeira Unger por meio
de decreto.
Sentindo que a análise da proposta não vai
ser moleza, tendo em vista que a relatora da CPMF na Comissão
de Constituição e Justiça (CCJ) do
Senado já avisou que seu parecer será contra
a matéria, o governo começou a jogar pesado.
Os
senadores já foram avisados por meio da líder
do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC), que a liberação
de recursos do governo federal aos Estados vai depender
de como os senadores vão se comportar durante a votação
da matéria. A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff,
também já deu seu recado: “A CPMF é
fundamental para o governo, que não vai abrir mão
até o último minuto”.
E
no meio deste tumulto todo, está o povo brasileiro,
aquele que ganha salário de terceiro mundo, mas paga
imposto de primeiro; aquele que sem educação,
saúde, emprego, segurança, insiste em acreditar
em dias melhores para o país que só tem condições
de lhe maltratar.
A
CPMF será aprovada, não resta a menor dúvida.
Até porque, com a saída de Renan Calheiros
(PMDB) da presidência do Senado – que oficialmente
saiu por 45 dias, mas que na prática não retornará
mais ao comando do Congresso – o Senado será
presidido pelo petista Tião Viana (AC).
A
Câmara, que já é presidida pelo também
petista Arlindo Chinaglia (SP), já fez o seu dever
de casa para este ano. Os deputados aprovaram em dois turnos,
apesar da obstrução da oposição,
a proposta da CPMF. Ela agora está no Senado, um
lugar no qual o governo não conta com a maioria obscena
da Câmara, mas que vai respeitar as vontades soberanas
do Planalto. E o palácio deseja, mais do que tudo,
a continuidade da CPMF. E o seu desejo será atendido,
mediante algumas rodadas de negociações.
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