Brasília
- Não há tema mais urgente a ser discutido
num domingo à noite do que aquela tristeza mansa
que sempre chega e se faz presente até que todos
se conformem com a segunda-feira. E se a tristeza é
o carro chefe deste texto, que seja novamente um texto de
política.
Se
a tristeza realmente é o nosso guia nessas linhas,
por que não comentar sobre a possibilidade de um
terceiro mandato do presidente do Lula? Ele e os seus defensores
estão roucos de repetir que com a democracia não
se brinca. No entanto, assim como Fernando Henrique o fez,
Lula também pode brincar de mexer na Constituição,
tornando assim o terceiro mandato uma possibilidade real.
Todos
sabem que as letras da Constituição não
são basicamente nosso guia em momentos crucias. A
história brasileira mostra que tivemos espasmos de
democracia. Getúlio Vargas deu o seu golpe de Estado,
assim como os militares.
Sarney,
que deveria ter convocado eleições pouco tempo
de depois da morte de Tancredo, permaneceu na presidência
por cinco anos. Até o presidente Collor deixou o
governo por causa de um julgamento político –
o que ao pé da letra foi um golpe do povo na democracia
(fato é que ele errou na economia, e com essa área
não se pode errar).
FHC
alterou a constituição permitindo a reeleição.
Com base nesse pequenino histórico de nossas instituições,
frágeis como os amores eternos, por que então
seria demais imaginar que na cabeça dos governistas
atuais um terceiro mandato de Lula seria improvável?
Lula
sabe que tem capital político para bancar mais um
mandato. De acordo com o portal da Globo, o governo distribui
dinheiro a ¼ dos brasileiros por meio do Bolsa-Família,
principal programa de assistência (ou assistencialismo,
como acusam os críticos) do Planalto. Com essa tática,
Lula acaba sendo irresistível aos dois pólos
da pirâmide social.
Lula
tem uma ótima relação com os miseráveis,
pois além de sua biografa, ele fala como um homem
do povo. Em seus discursos, não é raro o primeiro
homem da República exaltar a sua falta de escolaridade.
O povo o ama e o defenderá até os limites
de sua fé.
Pelo
outro lado, os banqueiros também amam o governo do
PT. O lucro que os bancos estão alcançando
sob a batuta da política econômica petista
talvez tenha deixado os banqueiros com a sensação
de que deveriam ter apoiado Lula há muito mais tempo.
As
cartas estão em cima da mesa, as regras do jogo são
mutantes e Lula conta apenas com a crítica da classe
média. Aliás, a acuada classe média,
que por anos ingressou na perigosa ideologia de não
criticar Lula e o petismo, e que agora se vê refém.
O
certo é que se Lula vier a trilhar o terceiro mandato
consecutivo, estará apenas seguindo uma tradição
de desrespeito à Constituição. E desta
vez, ao menos desta, ela não poderá dizer
o famoso “nunca na história deste país”.
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