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22/04/07
A crise aérea brasileira, que deixou milhões de pessoas impossibilitadas de ir e vir, não é mais motivo de conversa. Não se comenta mais sobre a crise aérea, que se estendeu por seis longos meses e que ainda não deu garantias definitivas de que não voltará. Há os que afirmam que essa característica do nosso povo, de simplesmente “deixar de lado” essas “pequenas coisas” é parte indissociável do nosso jeito. O rancor não combina com nossos costumes, podem argumentar. E é verdade. Não temos rancor, não temos memória, não temos nem vergonha de exercer deslavadamente o perdão incondicional. A crise aérea passou, e o que passou pertence ao passado. O assunto do momento é a tal da Operação Furacão, da Polícia Federal, que está prendendo muita gente do Poder Judiciário. Eu já disse e torno a repetir que com o Judiciário não se brinca. O Judiciário não é o Legislativo, até porque não elegemos nossos ministros dos tribunais superiores. Eles simplesmente não precisam fazer campanha eleitoral. Os deputados, por sua vez, dependem de uma eleição a cada quatro anos, de um agrado aos eleitores, de uma visita às bases eleitorais. Mas daqui a pouco também esqueceremos da venda de sentenças judiciais para os que exploram jogos ilegais. Já esquecemos da crise aérea; do crescimento econômico minúsculo; da violência que esfacela a nossa cidadania; da vitória boliviana em acordos de venda de gás natural; da máfia das ambulâncias no Congresso Nacional; da tentativa de compra de um dossiê contra políticos tucanos por parte de membros da campanha do candidato à reeleição, o presidente Lula; do mensalão; do espetáculo do crescimento prometido, etc, etc, etc. Simplesmente esquecemos porque julgamos que assim a vida tende a caminha de forma mais aprazível. Confesso que a tendência em uma hora dessas é reclamar desta nossa capacidade de esquecer, de simplesmente deixar para lá. A vida por aqui é difícil demais para se perder tempo com assuntos menores, não no mérito da grandeza em si, mas em relação à distância de sentido da maioria das realidades. E onde não há garantia do pão, a política passa a ser um teatro mais reservado e mais sombrio. Esta semana teremos a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a instalação da CPI do Apagão Aéreo na Câmara. Também teremos a posição do STF sobre a participação ou não do presidente Lula no episódio da tentativa de compra do dossiê contra políticos do PSDB. Além das mais variadas pendengas políticos no Congresso, no Palácio do Planalto, e nos mais variados corredores da Esplanada dos Ministérios. Sem contar a interminável seqüência de depoimentos sobre as operações da Polícia Federal. E o resultado prático disto tudo. Coisa alguma. E é por isso que, sabiamente, esquecemos o que deixa de ser feito por aqui. |