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Rodolfo Torres

A escola morreu

Jornalista rodolfotorres@bayoubrasil.com

 

15/04/07

Rodolfo Torres Brasília - Morro de medo quando o assunto do dia diz respeito à Justiça, Polícia Federal, prisões de altos membros do Judiciário e muito, mas muito dinheiro apreendido. Tenho medo porque realmente devo ter medo. O Judiciário brasileiro é o mais misterioso dos poderes, o mais enigmático. E se depender de mim, ele permanecerá do mesmíssimo jeito.

Por pura covardia, e espírito de sobrevivência, não vou aqui falar sobre a Operação Furacão. Pouco importa se Fulano ou Cicrano, que escreveu livros e mais livros sobre leis e conhece o andamento de nossa Justiça como ninguém, está encarcerado há poucos quilômetros de onde escrevo.

Quero aqui falar sobre o final de semana com a mulher amada, mulher da qual dependo para sorrir pleno, para dormir em paz, e para retornar ao lar com maior conforto. Por causa desta mulher, resolvi assistir a um filme no sábado. Um documentário nacional, do mesmo diretor do belíssimo “Janela da Alma”.

“Pro dia nascer feliz” é o nome do filme, que de acordo com a mulher que amo, deveria ser exibido no Congresso Nacional. O filme trata da educação no Brasil, ou da falta dela. Ora, vamos combinar apenas uma coisa: um país que trata a educação do jeito que tratamos não pode querer nada de sério nesta vida.

A própria eleição do presidente Lula é um atestado de que desprezamos a educação, de que somos o seu maior inimigo na Terra. Minha futura esposa é formada em pedagogia, mas desistiu de lecionar. Simplesmente desistiu porque se deu conta de que, por mais maravilhosa que possa ser ( e ela é), ela não teria forças para vencer o inferno que os professores brasileiros passam diariamente.

Eu até comecei lhe contar uma história, mas ela logo mudou de assunto e eu me calei porque notei que ela não queria me ouvir naquela. E eu não lhe culpo. Deve ser muito chato mesmo me ouvir tentando explicar o mundo...

Eu ia lhe dizer que no Japão a educação é a coisa mais importante que existe. Após as duas bombas atômicas, os americanos fizeram o diabo naquele país. Mudaram a bandeira, proibiram que o país tivesse Forças Armadas, e obrigaram o derrotado imperador japonês (que era considerado um Deus vivo na Terra) a ir à rádio e dizer para os seus súditos que não era o Deus vivo entre os homens.

Mas o imperador japonês ainda conserva as suas regalias até hoje. Todos lhe fazem reverência: chefes de Estados, ministros, empresários, executivos de bancos, reis, e o que mais vier. E só existe uma pessoa a quem o imperador presta reverência: à sua professora primária. Essa é a única mulher a quem o imperador japonês se curva. Ninguém mais recebe tal gesto.

Pelo que vemos no documentário, do jeito que a educação é tratada no Brasil, estamos realmente condenados a ser este país eternamente a espera de algo que jamais virá. Um país que despreza a educação, que trata o profissional da educação como um criminoso, não pode querer ser nada mais do que o próprio Brasil.

O nosso desprezo pela educação ainda pode fazer muito mais por nós. Podem acreditar que sim.