
![]() |
15/04/07
Por pura covardia, e espírito de sobrevivência, não vou aqui falar sobre a Operação Furacão. Pouco importa se Fulano ou Cicrano, que escreveu livros e mais livros sobre leis e conhece o andamento de nossa Justiça como ninguém, está encarcerado há poucos quilômetros de onde escrevo. Quero aqui falar sobre o final de semana com a mulher amada, mulher da qual dependo para sorrir pleno, para dormir em paz, e para retornar ao lar com maior conforto. Por causa desta mulher, resolvi assistir a um filme no sábado. Um documentário nacional, do mesmo diretor do belíssimo “Janela da Alma”. “Pro dia nascer feliz” é o nome do filme, que de acordo com a mulher que amo, deveria ser exibido no Congresso Nacional. O filme trata da educação no Brasil, ou da falta dela. Ora, vamos combinar apenas uma coisa: um país que trata a educação do jeito que tratamos não pode querer nada de sério nesta vida. A própria eleição do presidente Lula é um atestado de que desprezamos a educação, de que somos o seu maior inimigo na Terra. Minha futura esposa é formada em pedagogia, mas desistiu de lecionar. Simplesmente desistiu porque se deu conta de que, por mais maravilhosa que possa ser ( e ela é), ela não teria forças para vencer o inferno que os professores brasileiros passam diariamente. Eu até comecei lhe contar uma história, mas ela logo mudou de assunto e eu me calei porque notei que ela não queria me ouvir naquela. E eu não lhe culpo. Deve ser muito chato mesmo me ouvir tentando explicar o mundo... Eu ia lhe dizer que no Japão a educação é a coisa mais importante que existe. Após as duas bombas atômicas, os americanos fizeram o diabo naquele país. Mudaram a bandeira, proibiram que o país tivesse Forças Armadas, e obrigaram o derrotado imperador japonês (que era considerado um Deus vivo na Terra) a ir à rádio e dizer para os seus súditos que não era o Deus vivo entre os homens. Mas o imperador japonês ainda conserva as suas regalias até hoje. Todos lhe fazem reverência: chefes de Estados, ministros, empresários, executivos de bancos, reis, e o que mais vier. E só existe uma pessoa a quem o imperador presta reverência: à sua professora primária. Essa é a única mulher a quem o imperador japonês se curva. Ninguém mais recebe tal gesto. Pelo que vemos no documentário, do jeito que a educação é tratada no Brasil, estamos realmente condenados a ser este país eternamente a espera de algo que jamais virá. Um país que despreza a educação, que trata o profissional da educação como um criminoso, não pode querer ser nada mais do que o próprio Brasil. O nosso desprezo pela educação ainda pode fazer muito mais por nós. Podem acreditar que sim. |