Brasília
- O mensalão, pagamento de mesada para que o pessoal
do Legislativo vote de acordo com as orientações
do Executivo, ainda é capaz de estragos consideráveis
em nosso país. A prática já está
caduca, não é mais nenhuma novidade, mas,
vez por outra, aparece alguém disposto a se escandalizar.
O
exemplo mais recente é o pedido de afastamento de
Walfrido do Mares Guia, então ministro das Relações
Institucionais, por causa da denúncia do Ministério
Público envolvendo-o no chamado “Mensalão
mineiro” – uma espécie de teste do pagamento
de propina coordenado pelos petistas, só que iniciado
em 1998 pelo PSDB no governo de Eduardo Azeredo, que atualmente
é senador.
“Nunca
houve mensalão em Minas Gerais. As questões
relativas à campanha de 1998 foram questões
que não estavam sob minha responsabilidade”,
afirmou o tucano.
Walfrido,
ex-governador de Minas à época, teria coordenado
o pagamento de propina a diversos políticos, entre
eles o atual governador de Minas, Aécio Neves (PSDB).
Ele, para variar, nega as acusações: “Recebi
com profunda indignação a informação
de que o Procurador-Geral da República acusou-me
perante o Supremo Tribunal Federal por um crime que não
cometi e sobre o qual jamais fui ouvido. Nem a Polícia
Federal, nem o próprio Procurador deram-me o direito
de prestar os esclarecimentos ao longo dos quase dez anos
nos quais investigou-se esse assunto”, desabafou o
ex-ministro.
Além
da semelhança em relação ao modo de
operar, o mensalão mineiro também contou com
a participação de um sujeito que se tornou
bastante conhecido pela crônica política nacional:
Marcos Valério. O publicitário já treinava
a singela arte de captar recursos para políticos,
numa espécie de ponte dos prazeres entre o dinheiro
e a lealdade mercenária.
Walfrido,
que conta com todo o apoio do presidente Lula, será
substituído pelo líder do governo na Câmara,
deputado José Múcio (PTB-PE). Lula fez questão
de frisar que mantém “integral confiança
na pessoa do ministro que, estou seguro, será inocentado
das acusações.”
José
Múcio terá agora a difícil tarefa de
negociar a aprovação da CPMF (Contribuição
Provisória sobre Movimentação Financeira)
no Senado. A oposição diz que vai votar contra,
que o governo não terá os 49 votos necessários
para aprovar a matéria, e que os brasileiros finalmente
sentirão na pele o significado de uma redução
da carga tributária.
Na
recente convenção dos tucanos, encontro em
que o senador Sérgio Guerra (PE), foi eleito presidente
do partido, o PSDB voltou a afirmar que nenhum senador da
legenda dará seu voto por mais quatro anos de imposto
do cheque. Na ocasião, o ex-presidente Fernando Henrique
Cardoso aproveitou para criticar a apologia à ignorância
promovida por Lula.
Contudo,
o final da história parece bastante previsível.
No apagar das luzes do ano legislativo, num momento em que
todos estão preocupados com presentes, festividades
e dívidas, a CPMF passará no Senado. E, mais
uma vez, o brasileiro cumprirá seu destino: pagar
imposto.
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