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Rodolfo Torres

A necessidade faz a entrevista

Jornalista rodolfotorres@bayoubrasil.com


25/06/07

Rodolfo Torres Brasília - Os dois maiores jornais do Brasil iniciaram o domingo de uma forma sublime. A Folha de S. Paulo e o O Estado de S. Paulo conseguiram entrevistas exclusivas com Mônica Veloso e Verônica Calheiros. Digamos que ao povo brasileiro foram apresentadas as personagens que faltavam para o entendimento mais profundo da crise que abala o Senado da República do Brasil.

À Folha, a jornalista Mônica Veloso afirmou que “amou muito” o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) durante o tempo em que o romance extraconjugal permaneceu. Mônica também afirmou que nunca fez chantagem, que gostaria de apresentar um programa de entrevistas na TV e que se tornou “o terror de Brasília”.

Já o Estadão conseguiu uma exclusiva com a mulher do presidente do Senado (que também é presidente do Congresso Nacional). Verônica Calheiros afirmou que os homens são “bestas” ao caírem nos encantos de moças mais jovens e graciosas. Contudo, a mulher de Renan defendeu o seu marido e afirmou que entre ela e o senador há “amor e companheirismo”.

O que podemos concluir nesta história? Os jornais finalmente se deram conta de que não vão conseguir fazer com que o processo que corre no Conselho de Ética da Casa contra Renan caminhe na velocidade desejada pelos chefes de redação. A representação protocolada pelo Psol contra Renan, por quebra de decoro parlamentar, tende a se estender por um prazo muito maior do que a imprensa deseja.

Em um primeiro momento, tentou-se arquivar o processo contra o peemedebista das Alagoas. Contudo, além dos indícios de irregularidades cometidos por Renan que chegavam diariamente às paginas de jornal, o Conselho de Ética não conseguiu encontrar um substituto para o senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA), que se licenciou do caso.

Três reuniões do conselho, três relatores diferentes. O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) chegou a anunciar que aceitaria a relatoria do caso, mas ao que tudo indica foi convencido de que sua ajuda seria mais útil em uma outra função. Estuda-se até se formar um conselho de relatores para que o caso seja analisado.

Sentindo que a história perderia o seu apelo popular se a cobertura jornalística fosse mantida apenas nos termos do regimento interno do Senado, com suas normas próprias de conduta e seu ritmo todo especial; os jornalões partiram para o ponto de interesse popular.

Existe uma crise no Congresso Nacional provocada por um relacionamento extraconjugal de seu presidente. E este relacionamento gerou uma criança. Portanto, nada mais lógico para a imprensa do que ouvir as duas mulheres que participaram deste triângulo amoroso com o senador.

É a repetitiva ação do homem: o exercício da política, o mais humano dos ofícios, é guiado pelos instintos, pelo lado emocional. E é a palavra da mulher que pode elevar um homem público às alturas ou derrotá-lo para sempre na opinião dos seus.

Se é verdade que o Senado vai adiar de todas as formas a votação do processo contra Renan no seu Conselho de Ética, também é verdade que a imprensa vai apelar cada vez mais para o lado rodriguiano do episódio. E a venda de jornais aumentará. E o povo passará a discutir política com mais conhecimento de causa.

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