
| |
![]() |
12/03/07
Constatada a péssima qualidade de nossa Educação, e talvez até o seu quadro irremediável, o pessoal vai esquecendo dela, que acaba, mais uma vez, marginalizada. E sempre será assim. Mas por que razão será que falam tanto que a educação é importante? Por que ninguém tem a coragem de dizer que existem formas de educação que são rentáveis, importantes economicamente, capazes de impulsionar o crescimento econômico de um país; e existem formas de educação na qual o sujeito se torna um poço de cultura, mas incapaz de conseguir dinheiro com seu conhecimento? O problema brasileiro é que, por aqui, não se formam nem cientistas, nem amantes da poesia. Qualquer modalidade de Educação é desencorajada no Brasil. Vamos tratar da Educação rentável, capaz de produzir cientistas, de fazer com que as nossas exportações cresçam. O brasileiro, por sua história, por sua vocação, e por seu destino, não pode desprezar jamais a agricultura e a pecuária. O que seria do Brasil sem as exportações de produtos agro-pecuários? O que seria de um país continental, de clima tropical, onde degradados e escravos conviviam com nativos? Um Estado ausente por ideologia, que é capaz de sangrar o seu povo com impostos criminosos, e, ao mesmo tempo, sempre foi incompetente para oferecer os serviços mais básicos aos seus... A visita do presidente americano ao Brasil, George W. Bush, na semana passada, teve um único motivo: diminuir a dependência dos Estados Unidos do petróleo (vendido aos americanos, inclusive, por Hugo Chávez, presidente da Venezuela). E por que Bush veio ao Brasil? Porque há 35 anos o Brasil permanece com uma história de produzir álcool da cana de açúcar, que serve de combustível para automóveis. O conhecimento que o Brasil adquiriu nessas três décadas vai servir, e muito, para que os americanos aproveitem. Não é difícil imaginar que os cientistas brasileiros que podem auxiliar a América a solucionar o problema da dependência do petróleo, via etanol (álcool da cana), vão para os EUA. Eis um exemplo prático para demonstrar que a Educação serve para alguma coisa além dos discursos políticos. O Brasil, maior produtor de cana de açúcar do mundo, firmou parcerias com os americanos. Mas e agora? Será que o etanol brasileiro vai inundar a economia dos Estados Unidos? Será que os subsídios que o governo americano dá aos seus agricultores vão, ao menos, reduzir? A resposta, evidentemente, é não. Os Estados Unidos produzem álcool a partir do milho. O Brasil, a partir da cana. Temos experiência de três décadas com o etanol. Mas vamos investir R$ 40 milhões em pesquisas no setor neste ano. Os americanos, além de puxar o nosso conhecimento no assunto, o que fez com que eles chegassem ao ponto que chegaram (a importação de conhecimento), vão investir, apenas em 2007, US$ 1,6 bilhões na questão dos biocombustíveis. A questão energética, que sempre motivou guerras e é mais do que estratégica para qualquer país, caminha na direção dos biocombustíveis, até porque poluem menos do que os derivados do petróleo. E o Brasil está na ponta do conhecimento deste processo. Apesar do nosso descaso congênito com a Educação. |