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23/10/06
Mas hoje eu quero falar de esperança, de alegria, de paz interior. Quero aqui declarar para os que chegaram a esse segundo parágrafo, e que por ventura não entendem de políticia, que eles não estão solitários nessa ignorância. Na verdade, não existe ser humano que entenda a política brasileira. A nossa política foi feita para ser um mistério permanente. E quem se declara conhecedor nesse campo, ganha imediatamente ares de onisciência. Analistas políticos, acadêmicos, e outros tantos por aí apenas soltam seu achar e se os outros aceitarem, tudo estará bem. O que não existe, e é uma verdadeira pena que não exista, é a confissão. Ainda não temos alguém que venha a público e declare: minhas senhoras e meus senhores, discutimos e falamos sobre política durante anos e mais anos, mas não entendemos absolutamente nada desse assunto porque a nossa política não foi feita para ser entendida. O fato é que as idéias, que deveriam aparecer em algum momento do debate político, não existem, simplesmente não existem. A discussão política é exclusiva em torno de personagens, de atores desse cenário pobre, medíocre, pequeno e enfadonho da política brasileira. O jornalismo político até se esforça para torná-lo um pouco apetitoso. Conseguiria, se unisse a linguagem da política à linguagem policial. Portanto, não entender a política brasileira é comum a todo ser vivo. Basta nascer para não entender o que se passa na nossa política. Basta morrer para permanecer, em relação ao entedimento da política, como nasceu. E já que todos não entendemos o que diabos é a política do Brasil, vamos nos dedicar a algo mais importante e que dê mais prazer. Vamos falar da moça bonita que vai à padaria e que ganha um chocolate pelo belo sorriso, ou do bolo preparado no sábado pela manhã para o café do final da tarde. Podemos conversar a respeito da chuva fina que agora cai na capital federal e que aumenta a saudade de um abraço mais forte, ou da pregüiça companheira que não permite que um chá seja preparado. O assunto pode até ser o mato que cresce entre as pedras das ruas de cidades afastadas e cheias de vida. Qualquer tema, nesse início de semana, é necessário. Qualquer um. Só não aceito alguém dizer que entende de política nesse país. Admito que alguém possa entender de pesca, de mecânica, de confeitaria, de limpeza de pele e de futebol. De política, não existe. Até porque não existe explicação possível para a nossa política, e isso talvez tenha o seu lado positivo. É pena que esse tema abstrato, e lúdico, seja tratado com tantas amarras, e com uma linguagem tão distante. |