Brasília
- Se tudo transcorrer conforme o declarado, o PSDB finalmente
vai sair de cima do muro e anunciar na próxima terça-feira
(6) a sua posição em relação
à proposta que prorroga por mais quatro anos a cobrança
da Contribuição Provisória sobre Movimentação
Financeira (CPMF). Os tucanos do Senado estão enrolando
há muito tempo e até agora só fazem
beicinho para o governo, mas não têm coragem
para bater de frente contra os governadores de São
Paulo e Minas Gerais: ambos do PSDB e pré-candidatos
à presidência da República nas próximas
eleições.
Para
o PSDB fica difícil ir contra a um imposto criado
justamente no governo Fernando Henrique Cardoso. Sem contar
que o partido deve reassumir o Planalto a partir de 2010.
Todo mundo sabe que, se Lula não concorrer nas próximas
eleições presidenciais, os tucanos voltarão
ao poder.
E
já que todo mundo têm a mais límpida
certeza desse retorno do tucanato aos palácios de
Brasília, um comentário fomentado por aliados
do governo tomou conta das rodas de conversa de Brasília
nos últimos dias: a possibilidade de o presidente
concorrer indefinidas sucessões. A lógica
dessa conversa segue aquela velha máxima: se colar,
colou. Para isso, basta mudar a Constituição,
que já foi mudada durante o mandato de Fernando Henrique
Cardoso e, atualmente, só permite que um ocupante
de um cargo majoritário do Executivo possa, no máximo,
se reeleger.
A
história brasileira revela, entre outras coisas que
nosso apreço pela educação é
mínimo e quem está no poder altera a Carta
de leis da melhor maneira que lhe convém. Entretanto,
a discussão do terceiro mandato consecutivo de Lula
é “prematura” uma vez que o Congresso
ainda precisa aprovar a CPMF. Depois dos políticos
aprovarem a continuidade de mais esse imposto, o Planalto
vai cai de vez no assunto “Lula 2010”.
O
caminho para se mudar a Constituição e permitir
que Lula seja candidato no próximo pleito presidencial
passa exatamente pelo mesmo caminho que é necessário
para prorrogar a CPMF até 2011. Talvez seja por isso
que, durante um congresso do PT, levantou-se a hipótese
de se acabar com o Senado.
Na
Câmara, qualquer projeto do governo passa com uma
velocidade irresponsável. Naquela Casa, o governo
conta com uma maioria que lhe permite legislar. Já
no Senado a conversa é outra. Com os senadores, o
governo precisa discutir, argumentar, fazer concessões.
O
PT sabe muito bem que ninguém no partido tem a mínima
chance de ser eleito presidente da República além
do próprio Lula. E os petistas não querem
perder as mordomias que só o Executivo federal traz
aos companheiros. Sem contar que a Copa do Mundo de 2014,
que será no Brasil, trará uma dinheirama “nunca
vista na história deste país”.
Ou
seja, podemos nos preparar para que a carga tributária
no Brasil continue alta, uma vez que a CPMF deve permanecer
por mais quatro anos (os senadores tucanos provavelmente
não terão peito para bater de frente com o
governo, uma vez que muitos deles têm o “bico
vermelho”). Também é bom se preparar
também para ver Lula presidente até depois
da Copa do Mundo de 2014. Eles não vão largar
o osso!
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