Brasília
- Esta semana será marcada pelos debates, que
serão realizados na Comissão de Constituição
e Justiça (CCJ) do Senado, em torno da proposta
de emenda à Constituição que prorroga
por mais quatro anos a cobrança da CPMF (Contribuição
Provisória sobre Movimentação Financeira).
Ministros, economistas, ex-ministros da Fazenda (Antônio
Palocci e Pedro Malan), professores, presidentes de
associações de indústrias, representantes
de associações de bancos, foram chamados.
Todos debaterão este polêmico, e lucrativo,
imposto. Aliás, não é um imposto,
é uma contribuição. E provisória.
A
CPMF é o grande assunto do Congresso no momento.
Afinal de contas, são R$ 40 bilhões por
ano. E esta é uma quantia que nenhum governo
quer abrir mão. Mesmo que o governo em questão
tenha pregado, no passado, o fim incondicional da CPMF.
A
discussão sobre a manutenção ou
o fim desse tributo revela muito da política
brasileira. No Brasil, não existe ideologia partidária,
nem muito menos posicionamento político definido.
O PSDB e o PFL (atual DEM) criaram a CPMF.
Agora,
o DEM já fechou questão contra esse tributo
e levará seu voto contrário às
últimas conseqüências. Ao menos é
o que se diz. Já o PSDB quer obter todo tipo
de vantagem para não enterrar um dos filhos mais
ilustres da política tributária de Fernando
Henrique Cardoso. Os tucanos são essenciais para
a sobrevida da CPMF, e os parlamentares do partido estão
sendo pressionados a manter o tributo pelos governadores
José Serra (São Paulo) e Aécio
Neves (Minas Gerais). Ambos do PSDB e pré-candidatos
à presidência da República nas próximas
eleições.
E
o PT, que já se escandalizou com a situação
tributária do Brasil, agora defende a manutenção
da CPMF. O governo Lula diz que se a CPMF não
for aprovada pelo Senado este ano, diversos programas
sociais serão prejudicados; sem contar que o
equilíbrio fiscal também ficará
comprometido.
Essas
audiências públicas que vão ocorrer
no Senado trarão gente dos dois lados. Tucanos
que defendem a extinção imediata da CPMF;
tucanos que defendem um acordo com o governo; petistas
que são amantes declarados do tributo; petistas
que fazem suas ressalvas para manter mais este peso
nas costas do brasileiro.
O
Brasil é um país surreal sob infinitos
aspectos. Um deles é a discussão em torno
da carga tributária. Como é que um país
que pretende ser algum dia levado a sério consegue
discutir seriamente a manutenção de um
imposto, que só existe por causa de uma emenda
à Constituição, sendo que este
mesmo país paga 40% de carga tributária?
Com um peso deste, simplesmente não como
progredir...
A
discussão em torno da manutenção
da CPMF só revela o quanto a discussão
política brasileira está envolvida em
questões meramente paulistanas. Apenas e tão
somente PT e PSDB têm condições
de erguer uma coligação com chances reais
de assumir a presidência em 2010. Há até
quem diga que a CPMF é a prova de que o governo
precisa para elaborar mais uma emenda à Constituição,
garantindo ao atual presidente a possibilidade de se
candidatar para o terceiro mandato consecutivo.
Ou
seja, FHC mudou a Constituição, possibilitando
a reeleição presidencial. Dizem que Lula
pensa em criar a emenda da re-reeleição.
Pelo sim, pelo não, o fato é que o governo
vai inaugurar em breve um canal de TV para divulgar
os seus louros (e também para promover uma tal
de “diversidade” no sistema de telecomunicações
brasileiro). Esperamos que as semelhanças entre
as atitudes do governo brasileiro com as atitudes do
presidente bufão e ditatorial da Venezuela, ao
menos no que diz respeito às telecomunicações,
sejam apenas coincidências.
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