Brasília
- Antes de qualquer coisa, é necessário ressaltar
que o PT e o PSDB são partidos complementares, siameses,
entrelaçados. Qualquer análise política
que parta do princípio de que PT e PSDB são
opostos, vai certamente cair naquele discurso bipolar paulista.
Partindo
deste princípio que petistas e tucanos se complementam,
podemos falar um pouco a respeito da tal da CPMF (Contribuição
Provisória sobre Movimentação Financeira).
O famoso “imposto do cheque” ainda vai dar muita
dor de cabeça ao governo, que terá que rebolar
bastante para que a matéria passe no Senado.
Ao
contrário da Câmara, onde a base do governo
manda e desmanda, no Senado a história é um
pouco diferente. Além do governo não contar
com os 49 botos necessários para aprovar essa proposta
de emenda à Constituição; a relatora
da matéria na Comissão de Constituição
e Justiça (CCJ), que é da oposição,
já avisou que seu parecer será contra o tributo.
Para
piorar a situação da turma do Planalto, que
quer aprovar a CPMF de qualquer modo, o PSDB pretende fechar
questão contra a prorrogação do imposto
criado por eles e se unir ao DEM (ex-PFL) na batalha para
sangrar o governo. A CPMF, não custa repetir, injeta
cerca de R$ 40 bilhões por ao aos cofres do governo.
A
bancada tucana no Congresso está sendo pressionada
pelos governadores de São Paulo, Minas Gerais e Rio
Grande do Sul, todos do PSDB, a não permitirem que
este imposto seja encerrado de uma vez por todas. Mas, ao
mesmo passo que os tucanos não querem perder a CPMF
de uma vez, até porque eles pensam em retornar ao
Planalto, eles também darão força para
que a CPMF não seja aprovada ainda este ano.
E
o que vai acontecer se o Congresso não aprovar a
CPMF em 2007? A proposta terá que passar novamente
pela Câmara e pelo Senado e, depois de aprovada, só
passará a vigorar depois de 90 dias. Ou seja, o governo
vai deixar de arrecadar aproximadamente cerca de R$ 10 bilhões
em um ano eleitoral.
Sejamos
francos: R$ 10 bilhões a menos em um ano eleitoral
faz uma falta danada. A oposição, encabeçada
pelo PSDB e pelo DEM, sabe muito bem que qualquer governo
brasileiro, que é vocacionado para os gastos públicos
exorbitantes, não pode passar sem a bolada da CPMF.
A
oposição, que criou o tributo, agora é
contra a contribuição mais permanente da história
do país. Por outro lado, o governo, que criticou
até a morte a CPMF na época em que ela foi
criada, pois era oposição, nem pensa em se
desfazer do dinheiro do tributo neste momento.
O
governo sinaliza com um acordo para que uma faixa da população
não pague a CPMF e, desta forma, uma parcela considerável
da sociedade seja atendida. Pela proposta mais promissora
apresentada até agora, os que ganham R$ 1.700,00
por mês e têm apenas uma conta bancária
não serão fisgados pela CPMF.
Levaram
até o presidente em exercício, José
Alencar, para afagar o ego dos senadores e desta forma,
convencê-los a aprovar esta matéria. Mas, pelo
jeito que a coisa anda, o mais provável é
que a CPMF só seja aprovada mesmo em janeiro. Desta
forma, a oposição, que criou o imposto, sangra
o governo em R$ 10 bilhões e passa a imagem de defensora
dos interesses da sociedade.
Alto
da página