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Rodolfo Torres

Bolso e alma

Jornalista rodolfotorres@bayoubrasil.com


24/09/07

Rodolfo TorresBrasília - Setembro é um mês definitivo no panorama político. Outubro é o mês definitivo no panorama econômico. Explico. Os que desejam concorrer às prefeituras nas eleições do próximo ano poderão trocar de partido até setembro. Ou então, terão que permanecer exatamente onde estão.

E novembro é o mês que a proposta que prorroga a cobrança da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) chega ao Senado. No Senado, afirmam todas as vozes da análise política brasileira, o governo terá uma dificuldade colossal para aprovar a matéria.

É que por coincidência o Senado vive uma convulsão institucional jamais experimentada. E além do mais, lá, o governo não conta com a generosa maioria que dispõe na Câmara.

Qualquer povo, principalmente o brasileiro, só sente na alma quando a discussão chega ao bolso. Antes disso, o tema perde a sua densidade, a sua importância. Até porque já existe uma imagem bem sólida do político patrício no imaginário coletivo. E olhem que alguns até tentaram mudar essa concepção...

Um dos que tentou enxertar uma nova imagem do Parlamento nas conversas de boteco foi o atual presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia (PT-SP). Assim que se elegeu presidente da instituição, um dos sustentáculos do legislativo, ele decidiu colocar os deputados para trabalharem nas segundas-feiras. Consegui por um mês. Porém, foi vencido pela tradição que existe no Congresso de só trabalhar de terça à quinta.

Essa conversa de troca-troca partidário chama a atenção, mas não é capaz de se converter em discussões mais longas. Assim como a semana de três dias no Congresso, a infidelidade partidária é outra de nossas mais profundas tradições políticas.

No entanto, a CPMF provoca o interesse mais sincero por parte de toda a sociedade. Qualquer cidadão que movimente seu dinheirinho se interessa em saber qual será o rumo dessa proposta. Caso o Congresso não aprove a prorrogação da cobrança do imposto, ele acaba no final do ano e o governo federal deixará de arrecadar cerca de R$ 40 bilhões por ano.

Como todo e qualquer governante, o petista não abre mão dessa bagatela e diz que o dinheiro da CPMF é mais do que necessário. O petista conclama aos quatro ventos que a economia brasileira nunca esteve tão bem, que nossas reservas são a mais consistente garantia de tranqüilidade; mas defende até a morte o imposto.

Argumentos para defendê-lo vão do equilíbrio fiscal passando pelo financiamento de programas sociais. Já a oposição acha que o governo já arrecada demais e que a situação do país clama pela redução da carga tributária (nome dado a quantidade de imposto que pagamos).

Infidelidade partidária, troca-troca de partido, “inchaço” repentino de partido da base aliada do governo. Nada mais natural em se tratando de política brasileira. A imprensa até fala a respeito, mas apenas a efeito de registro, sem maiores pretensões de mudança.

Já em se tratando da possibilidade de se acabar com um imposto malvado, todas as atenções se voltam para o caso. Afinal, mexeu no bolso, mexeu na alma.

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