Brasília
- Bendito seja o feriado do sete de setembro, principalmente
quando ele cai numa sexta-feira. Contudo, o feriado perfeito
é aquele que aparece numa segunda-feira, pois ele
ao menos ameniza um pouco o dia internacional da tristeza.
E
esse sete de setembro, assim como todos os anteriores, também
teve os seus desfiles militares pelo país afora.
Contudo, o sete de setembro de 2007 teve uma diferença
em relação aos anteriores. O presidente da
República quer equipar os nossos milicos.
O
governo brasileiro considera que as Forças Armadas
já sofreram demais com duas décadas na pindaíba
e agora parece que os nossos militares vão recolher
o pires. Porém, é necessário duvidar
de qualquer melhoria, em qualquer área, por meio
de investimento governamental. Existe a promessa do governo,
existe a espera dos militares e existe a nossa péssima
tradição entre ambos.
Além
desse desejo de Estado de aprimorar as Armas patrícias
– creio que os milicos ficaram na pior esse tempo
todo como parte do castigo civil pós Golpe de 64
– o desfile da Independência também está
mais sabiamente maleável. Diria até que o
desfile está globalizado.
O
desfile militar em Brasília contou com a participação
de motociclistas americanos. Dizem que eles têm um
programa de chamado “American Choppers”. Pois
bem, eles também desfilaram na Esplanada dos Ministérios.
Depois, eles apresentaram uma motocicleta inspirada no centenário
do arquiteto Oscar Niemeyer ao presidente Lula. E se não
em engano, teve até doação de capacete
e jaqueta de couro ao nosso líder (tudo no melhor
estilo Village People).
Tudo
na vida humana é simbólico. Podemos dizer
sem o menor receio do exagero que sem o símbolo a
humanidade não existiria. E o que simbolicamente
representa uns motoqueiros americanos, estandartes remanescentes
de uma época de petróleo farto e bipolaridade
econômica no planeta, a desfilarem no dia da independência
em plena capital do Brasil? Significa que o PT amadureceu
(não vamos tratar de mensalão e Supremo Tribunal
Federal nesse caso).
O
PT, partido do presidente da República, era aquele
que pregava aos quatro ventos que os Estados Unidos eram
o demônio em forma de país. Antes de assumir
a Planalto, milhares e milhares de petistas demonizavam
a maior economia do mundo e a responsabilizavam pelo subdesenvolvimento
brasileiro. Diziam até que nos encontros do PT a
Coca-Cola era banida.
Agora
tudo mudou. E nesse caso, mudou para melhor. Hoje, os Estados
Unidos deixaram de ser o grande inimigo do Brasil na ótica
do PT. Apesar das críticas de alguns diplomatas ao
anti-americanismo existente no Itamaraty sob a coordenação
do PT, acabou-se aquela história de que somos miseráveis
por culpa dos Estados Unidos.
Até
que enfim nos demos conta de que nossa miséria é
100% Made in Brazil. Até porque essa conversa de
culpar a América pela pobreza global não empolga
nem mais os centros acadêmicos de universidades públicas.
Ou ao menos não deveria...
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