Brasília
- Sábado passado, mais de 10 capitais brasileiras
serviram de palco para protestos contra o governo do presidente
Lula. Os manifestantes exigiam a saída do presidente
da República, a moralidade na política e o
fim do caos aéreo (que completará o seu primeiro
aniversário no próximo mês).
Diante deste
cenário de protestos, de insatisfação,
os que desaprovam o governo Lula – ou seja, a minoria
dos brasileiros (segundo a última pesquisa do Datafolha,
Lula é aprovado por 48% dos patrícios) –
podem até pensar que estamos engatando mais uma vez
um clima de impeachment presidencial, como o observado no
governo Collor.
As cenas
realmente lembravam, com um pouco de esforço do observador,
aqueles dias em que o país foi às ruas exigir
que o presidente renunciasse ao mandato. Se não fosse
por alguns pequenos detalhes, poderia me animar e ter alguma
esperança de que o atual presidente realmente não
ficaria no cargo até 2010.
As diferenças
entre um contexto e outro são escandalosas. E não
me refiro à corrupção, porque a corrupção
jamais será o motivo principal para destituir algum
governante. Principalmente no Brasil. Collor caiu porque
pecou na economia: congelou a caderneta de poupança
dos brasileiros, limitou o poder de compra e castrou grande
parte dos sonhos da classe média.
Lula, que
segue exemplarmente o modelo econômico neoliberal
do governo anterior, conseguiu progressos na aérea
de exportações, crescimento industrial, consumo
interno, entre outros indicadores. Mas o grande trunfo de
Lula são os bancos. Os banqueiros hoje são
petistas fanáticos.
Outro fato
que impossibilita a retirada do presidente de seu cargo
é que não há clima político.
Ora, se na época do mensalão o governo não
foi destituído, porque “não havia clima
político para tal”, não será
agora que o país conseguirá extrair um presidente
da República com mais de 60 milhões de votos.
Sem falar
que nenhum líder do Executivo nacional teve a proteção
que o presidente Lula tem, no sentido de taxar seus críticos
como reacionários e contrários à melhoria
da condição de vida das camadas mais pobres
da população.
Os protestos
contra o governo foram modestos. Em Brasília, por
exemplo, dizem que apenas 100 manifestantes foram ao aeroporto
Presidente JK para expressar insatisfação.
São Paulo, maior cidade da América Latina,
reuniu 2.000 manifestantes. De acordo com um deputado petista,
em Curitiba, capital do Paraná, os manifestantes
eram apenas 50.
Aos oposicionistas
otimistas, afirmo: a única possibilidade de Lula
ser atingido é por meio do desgaste do presidente
do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). A revista Veja, mais
uma vez, publica uma reportagem acusando o peemedebista
de práticas irregulares. Na mais recente edição,
a publicação diz que Renan utilizou laranjas
para adquirir duas rádios e um jornal em Alagoas.
Somente com
uma crise institucional da dimensão do mensalão,
somadas a duas tragédias aéreas em menos de
um ano, é que o presidente Lula poderá ter
o mandato abreviado. Mas mesmo assim, ainda acho que ele
fica. Afinal, como ele mesmo diz, não existe ninguém
no Brasil capaz de mobilizar mais pessoas do que o carismático
presidente da República.
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