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Sai em DVD show de Tom Jobim em Montreal

16/08/06 Agência Estado

O DVD Tom Jobim ao Vivo em Montreal, que acaba de sair pela Biscoito Fino, traz duas faces do maestro soberano.

No show do Festival de Jazz daquela cidade, em 1986, ele está feliz, com a família e os amigos, cantando o repertório que faz dele um dos maiores músicos do século passado (e deste também).

Na entrevista a Roberto d’Ávila, em 1981, ele extravasa angústias, sem cair na melancolia.

Ambos são fundamentais, para quem quer ouvir ótima música e conhecer o compositor que colocou o Brasil no mapa-múndi da música.

“Tom gostava de fazer shows e às vezes era rabugento fora deles, reclamava que trabalhava mais do que merecia ou devia”, conta o filho dele, Paulo Jobim, que faz parte de sua banda no show e aparece no DVD hippie, de longos cabelos encaracolados, numa gravação da TV

Educativa do Rio, em que eles cantam (Tom ao piano e Paulo ao violão) o samba Eu e o Meu Amor, de Tom e Vinícius.

“Foi feita um ou dois dias depois da morte de Vinicius, em julho de 1980, e resolvemos incluí-la, assim como a entrevista, que é muito boa.”

Paulo tem razão. Tom fala da infância, de seus medos e da timidez na juventude, conta que não regeu a orquestra do Teatro Municipal em Orfeu da Conceição porque sempre foi uma pessoa de background, nunca de proscênio e desfia aforismos sobre o País e a vida.

“O Brasil é de cabeça para baixo, mas se você disser isso, te colocam de cabeça para baixo”, diz ele a certa altura.

“Não tem uma música minha que eu goste mais, todas são filhas, mas algumas dão mais certo”, continua.

“Não faço diferença entre música clássica e popular, mas existe.”

Naqueles idos de 1981, Tom se chateava com a pouca atenção a seu trabalho no Brasil.

Seus discos eram mal lançados e pouco tocados.

Na ocasião da entrevista, ele recebera a encomenda de compor a abertura de uma novela da Rede Globo, Brilhante, de Gilberto Braga, estrelada por Vera Fisher.

Ele mostra, ainda sem letra, a valsa Luiza, que o traria de volta à paradas de sucesso, ao rádio e à televisão.

Com seu raciocínio em espiral, fala de arte e do futuro e mostra muita disposição para o que viria nos anos seguintes.

É o que está no show. A partir de 1985, com a Banda Nova, ele percorreu o Brasil e o mundo mostrando sua música.

As novas (como a suíte Gabriela, composta para o filme, com Sônia Braga e Marcelo Mastroianni) e os clássicos (como Samba de Uma Nota só, que ele mistura com os versos iniciais da Canção do Exílio de Gonçalves Dias: “Minha terra tem palmeiras/onde canta o sabiá”).

“Tínhamos outro show gravado, no Mosteiro dos Jerônimos, em Lisboa, mas a edição era muito parada e resolvemos acrescentar imagens de hoje, comparando Rio e Lisboa, duas cidades que têm muito em comum”, avisa Paulo Jobim. “Este show de Montreal já veio pronto, com som e imagens perfeitos, sem retoques.”

Há controvérsias. O som é mesmo perfeito, as 13 canções são lindas, os arranjos melhores ainda e a alegria de Tom e sua Banda Nova é contagiante, mas as imagens pouco acrescentam ao que se ouve.

Em nenhum momento, a câmera mostra as mãos do maestro ao piano ou desempenho dos músicos.

Danilo Caymmi, na flauta, aparece sempre de costas, impossível ver que notas toca ou como. Sobra o figurino das cinco cantoras (Ana e Elizabeth Jobim, mulher e filha de Tom, Maúcha Adnet, Paula Morelenbaum, mulher de Jacques, celo da Banda Nova, e Simone Caymmi, mulher de Danilo), última moda na época.

A Biscoito Fino anuncia o DVD como um prenúncio da comemoração dos 80 anos de Tom, em janeiro de 2007, mas Paulo Jobim diz que, por enquanto, há apenas o documentário de Nelson Pereira dos Santos, previsto para o segundo semestre e um concerto da Orquestra Petrobrás Sinfônica, em dezembro.

“Ainda não estamos pensando nesta data, mas quem nos procura é orientado pelo Instituto Tom Jobim”, avisa ele.

“Por enquanto estamos com o Centro Tom Jobim de Cultura e Meio Ambiente, que receberá o acervo digitalizado em breve.

Agora começamos a cuidar dos arquivos do Dorival Caymmi e do Chico Buarque.

O do Caymmi é interessante porque ele tem agendas de várias décadas, ao contrário do Tom, que anotava tudo em cadernos esparsos, o que também é interessante.”

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