14/01/07 - A eleição brasileira, considerada
a maior votação eletrônica do mundo e que
atrai a atenção de observadores internacionais,
passou por um longo processo de evolução até
chegar à atual etapa de informatização.
Por
estranho que pareça, a previsão de uma máquina
de votar já constava no primeiro Código Eleitoral,
em 1932. Mas a realização desta medida só
foi efetivada há poucos anos, após algumas experiências
pouco lembradas.
Na
década de 60, o inventor Sócrates Ricardo Puntel
idealizou e apresentou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um
modelo de mecanismo para ser utilizado nas votações,
mas seu projeto não foi considerado eficiente e ele o abandonou.
Em 1978, o Tribunal Regional de Minas Gerais apresentou ao TSE
um protótipo para mecanização do processo
eleitoral, que também não foi levado adiante.
Outros
tribunais regionais, isoladamente, desenvolveram, a partir daí,
algumas idéias que visavam a automação dos
processos eleitorais, principalmente o cadastramento de eleitores,
como fez o Tribunal Regional do Rio Grande do Sul, em 1983.
Antes
disso, em dezembro de 1981, o então presidente do TSE,
ministro Moreira Alves, encaminhou à Presidência
da República o anteprojeto que dispunha sobre a utilização
de processamento eletrônico de dados nos serviços
eleitorais. Já na eleição presidencial de
1989 foi possível a totalização eletrônica
dos resultados nos estados do Acre, Minas Gerais, Paraíba,
Piauí e Rondônia.
Aos
52 anos, Carlos Prudêncio foi o mentor intelectual do atual
voto eletrônico. Em 1989, ele implantou o primeiro terminal
de votação por computador em Brusque, no Interior
de Santa Catarina.
Na
época, aos 41 anos, Prudêncio era juiz da 5ª
Seção Eleitoral do Estado, com sede naquele município.
A adaptação do computador foi feita com a ajuda
do irmão, Roberto Prudêncio, dono de uma empresa
de informática. O modelo do programa de computador usado
por Prudêncio é o mesmo adotado hoje pelo Tribunal
Superior Eleitoral (TSE).
"As
primeiras máquinas nossas (nas eleições de
1988 e 1990) eram semelhantes às urnas atuais, mas em 1992
tivemos duas vantagens", lembra Prudêncio. "Uma
delas é que trabalhamos com urnas ligadas on-line e a outra
era a materialização do voto".
Adotado
na seção 145 de Brusque, o modelo de 'materialização'
funcionava da seguinte forma: em vez de digitar o número
dos candidatos numa tela, os eleitores preenchiam uma cédula
que passava por um leitor óptico semelhante ao das casas
lotéricas. "Depois, o eleitor colocava a cédula
já 'carimbada' pela máquina numa urna convencional".
Ao
final do pleito, para apressar a apuração, os dados
registrados pela máquina eletrônica eram encaminhados
a um computador central via telefone. As cédulas de papel
ficavam armazenadas na urna convencional para eventual checagem
em casos de dúvida.
A
idéia de transformar a cédula de papel em impulsos
eletrônicos surgiu na cabeça do desembargador Carlos
Prudêncio em 1978. Dez anos depois, nas eleições
municipais de 1988, surgiria a primeira oportunidade de colocá-la
em prática em Brusque. "Mas o desembargador Tycho
Brahe Fernandes Neto (então presidente do Tribunal Regional
Eleitoral de Santa Catarina) disse que eu era um sonhador e não
autorizou", lembra hoje Prudêncio.
Somente
um ano depois, nas primeiras eleições presidenciais
após o golpe militar, é que a urna eletrônica
de Prudêncio funcionaria em caráter experimental.
"Hoje, ao ver isso no País, me sinto um homem realizado
na vida por contribuir para o fim das fraudes eleitorais e para
a democracia do meu País". Em 1989, a urna eletrônica
nada mais era do que um terminal de computador adaptado. O programa
era o mesmo usado hoje pelo TSE.
Na
primeira experiência de Brusque, 373 eleitores da 90ª.
seção eleitoral da Cidade votaram no computador
durante o primeiro turno. No segundo turno, disputado entre Luiz
Ignácio Lula da Silva (PT) e Fernando Collor (PRN), 790
eleitores das 84ª. e 90ªseções usaram
o esquema montado pela Alcance Informática, empresa de
Roberto Prudêncio, irmão do desembargador.
Em
1990, nas eleições para governador, deputados federais,
estaduais e senador, a experiência foi repetida. No pleito
de 3 de outubro de 1990, o Tribunal de Santa Catarina inovou com
a instalação de um microcomputador em cada uma das
Zonas Eleitorais, a fim de totalizar e divulgar resultados parciais,
transmitidos à sede do Tribunal, que somava os votos de
todo o Estado, obtendo-se, com isso, maior agilidade na apuração.
Tanto
em 90 quanto em 89, Brusque foi a primeira cidade do País
a encerrar a apuração dos votos eletronicamente.
"Além das urnas experimentais, fomos os primeiros
a usar computadores na apuração", lembra Prudêncio.
"Eu fui o primeiro juiz a usar computador para apurar em
1982, na comarca de Juaçaba (oeste de SC)". Nas eleições
municipais de 1992, as urnas foram substituídas pelas máquinas
de leitura ótica em uma seção da Cidade.
No plebiscito sobre a forma e sistema de governo, em 1993, o modelo
foi repetido.
O
método foi adotado, também, em diversos plebiscitos
realizados no interior de Santa Catarina, destacando-se a consulta
acerca da emancipação do Distrito de Cocal do Sul,
realizado em 31 de março de 1991, quando foi realizada
a primeira votação totalmente eletrônica na
América Latina, abrangendo as etapas do voto e da apuração.
Este
e outros trabalhos foram feitos em cooperação com
o CERTI (Centro de Referência em Tecnologias Inovadoras)
da Universidade de Santa Catarina. Na capital de Santa Catarina,
o sistema de votação eletrônica foi utilizado
no segundo turno das eleições para o governo do
Estado, em 1994. Na ocasião, os eleitores de cinco seções
da 12ª Zona Eleitoral de Florianópolis digitaram seus
votos diretamente nas urnas eletrônicas.
A
batalha para informatização das eleições
foi encampada em 1994 pelo ministro Sepúlveda Pertence,
então presidente do TSE. A primeira eleição
totalmente informatizada no Brasil ocorreu em 12 de fevereiro
de 1995, no Município de Xaxim - oeste catarinense-, para
os cargos de prefeito e vice-prefeito.
Vale
ressaltar, nessa eleição, a evolução
do sistema de votação eletrônica, que já
permitia, inclusive, a visualização da fotografia
dos candidatos na tela do computador, e não apenas no teclado.
Naquele ano o TSE reuniu um grupo de assessoria técnica
formada por profissionais do Centro de Tecnologia Aeronáutica
(CTA) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) com
o objetivo de determinar as bases para o projeto da eleição
informatizada em grande escala no Brasil.
A
urna eletrônica, inicialmente chamada de coletor eletrônico
de voto (CEV), foi o resultado de vários estudos da Justiça
Eleitoral, que teve como objetivo identificar as alternativas
para a automação do processo de votação
e definir as características e medidas necessárias
à sua implementação nas eleições
de 1996 e subsequentes.
Resultado
desta pesquisa, o edital de licitação internacional
002/95, tornado público dezembro de 95, define a descrição
técnica detalhada da urna eletrônica e de seu funcionamento.
Em "O voto informatizado: legitimidade democrática"
de Paulo César Bhering Camarão, de 1997 são
descritos em detalhes as etapas de licitação, desenvolvimento,
fabricação e controle de qualidade do projeto relativo
a urna eletrônica utilizada pelo TRE nas eleições
de outubro e novembro de 1996.
Em
1996, o TSE contratou a primeira compra de quase 78.000 urnas
eletrônicas UE96, resultado de licitação iniciada
em dezembro de 95. Participaram da concorrência três
produtos completamente diferentes.
A
IBM propôs um projeto desenvolvido no Japão, baseado
em um notebook. A Procomp apresentou uma adaptação
de um quiosque de auto atendimento bancário, que pesava
mais de 20Kg. E a Unisys venceu a licitação, com
a urna eletrônica UE96, projetada pela empresa Omnitech
Serviços em Tecnologia e Marketing, inteiramente desenvolvida
no País.
A
concepção da urna eletrônica de 96, UE96,
foi adotada, pelo TSE, para todas as UE's usadas no Brasil, hoje.
Em 1995, o engenheiro eletrônico formado pelo ITA e ex-presidente
da Abicomp (Associação Brasileira da Indústria
de Informática) Carlos Rocha dirigia a empresa Omnitech,
que foi contratada pela multinacional Unisys para trabalhar na
criação e na montagem da primeira versão
da urna.
Um
protótipo da urna foi submetido a partir de abril de 1996
para "divulgação do voto informatizado na imprensa,
em especial em programas de televisão de grande repercussão"
e entregue ao TSE em maio de 1996 para treinamento dos funcionários
dos TREs e cartórios eleitorais.
Vários
testes, bem sucedidos, com uso de sistemas eletrônicos de
votação ocorreram em Santa Catarina, em especial
na cidade de Brusque. A urna eletrônica começou a
ser implantada no ano de 1996 em 57 municípios brasileiros.
Em
1996, a criação da urna eletrônica permitiu
a total informatização do processo de votação
e apuração das eleições. O voto eletrônico
foi implementado passo a passo em todo território nacional
para que os eleitores (principalmente os menos acostumados às
novas tecnologias) não tivessem muitas dificuldades na
hora de votar.
O
processo de votação eletrônica atingiu 100%
dos municípios brasileiros no pleito de 2000, totalizando
a instalação de cerca de 350 mil urnas eletrônicas.
O sucesso da informatização foi comprovado com a
facilidade dos eleitores ao votar e com a segurança e agilidade
da urna eletrônica. Os resultados das eleições
foram divulgados na manhã seguinte à eleição
o que representou "recorde" no anúncio dos resultados.
Há
três versões de hardware para a urna eletrônica,
os modelos UE96, UE98 e UE2000, que foram adquiridos nos anos
de 1996, 1998 e 2000, respectivamente. Todos os modelos apresentam
a mesma arquitetura básica, embora diferenças, decorrentes
da evolução tecnológica, possam ser observadas
no seu hardware.
A
urna compõe-se de dois módulos: o terminal do eleitor
(a urna propriamente dita e que inclui toda a capacidade de processamento
e armazenamento da informação) e o microterminal,
utilizado pelos mesários.
Além
dos dispositivos de entrada e saída visíveis para
o eleitor, teclado e monitor de vídeo, a urna inclui também:
uma impressora, usada para impressão dos boletins de urna
e dos relatórios de testes e de carga de software; um acionador
de disquete de 3,5 polegadas; dois slots para inserção
de cartões de memória do tipo flash, que são
denominados flash interna e flash externa; um conector para teclado
padrão PS2 convencional, usado em procedimentos de teste
e de manutenção da urna; dois conectores USB; um
conector para fone de ouvido, para uso de eleitores com deficiência
visual; um conector para conexão com outros terminais de
eleitor (no microterminal); um conector para impressora (no microterminal).
Todos
esses dispositivos de entrada e saída, com exceção
do flash card interno, são acessíveis do exterior
do terminal de votação.
O
microterminal comunica-se com o terminal do eleitor por meio de
um cabo serial ligado diretamente às placas internas. Todo
o processamento das informações inseridas pelo mesário,
como a identificação do eleitor e os comandos, é
realizado no terminal do eleitor.
Cada
conjunto (terminal do eleitor, microterminal) pode ser interligado
a até dois outros terminais do eleitor. Nessa configuração
um terminal atua como mestre do sistema e os outros dois como
escravos. Os dados da votação (candidatos, partidos,
eleitores) são armazenados no terminal mestre, que também
é responsável pelo processo de totalização
da seção eleitoral. Os terminais escravos realizam
apenas as funções de entrada e saída (teclado
e tela).
Esta
configuração é utilizada em seções
com grande número de eleitores. A urna eletrônica
possui uma arquitetura similar à arquitetura de um computador
IBM-PC. Seu projeto inclui, todavia, hardware não encontrado
em um computador pessoal e que é necessário para
controle e segurança da urna. Seu hardware inclui, por
exemplo, sensores para verificação do estado da
bateria interna, do estado da impressora etc, e um microcontrolador,
utilizado para controle dos sensores e do teclado do terminal
do eleitor.
A comunicação desse microcontrolador com o processador
é feita através de porta serial de uso compartilhado
com o teclado padrão PS2.
Também
no firmware a urna eletrônica difere ligeiramente de um
computador IBM-PC. Algumas funções foram implementadas
em firmware e armazenadas no que se denominou Extensão
do BIOS.
Essas
modificações impedem, por exemplo, a inicialização
da urna eletrônica a partir do acionador de disquete independentemente
da configuração da memória CMOS. Outras funções
de segurança foram implementadas nessa extensão.
Ainda, memórias não voláteis (EEPROM) são
utilizadas para armazenamento de informações próprias
de cada urna (número de série) e informações
necessárias para autenticação e criptografia.
A
urna eletrônica utiliza o sistema operacional VirtuOS, desenvolvido
pela empresa brasileira Microbase. Este é um sistema operacional
multithreaded, que possibilita o compartilhamento do processador
por diferentes processos que são executados simultaneamente.
Funções complementares, especialmente desenvolvidas
para atender as características da urna eletrônica,
foram agregadas ao sistema operacional.
O
conjunto das funções agregadas foi denominado Extensão
do Sistema Operacional. A aplicação em si é
formada por um conjunto de programas destinados a teste da urna,
simulações, treinamento e votação.
Os programas da aplicação utilizados em uma eleição
são idênticos para todas as urnas eletrônicas,
independentemente do local da votação.
A
adequação da urna para uma seção específica
é feita no processo de instalação do software
(inseminação da urna) pelo carregamento dos dados
relativos aos eleitores e candidatos aptos a votar e receber votos,
respectivamente, naquela seção.
Após
o encerramento da votação dispõe-se na urna,
além do boletim de urna (BU) com o resultado apurado na
seção, de outros resultados que são armazenados
em arquivos e remetidos juntamente com o boletim de urna para
o centro totalizador. Entre estes arquivos estão o registro
de eleitores ausentes, o registro de justificativas eleitorais
e o arquivo de log (registro de todos os eventos associados à
urna eletrônica, desde o momento de sua inseminação
até o encerramento da votação).
Além
dos dados acima referenciados, são mantidas no flash card
interno (FI) e no flash card externo (FV) cópias das matrizes
de totalização e de estruturas de controle que são
essenciais para a retomada do processo de votação,
sem perda dos dados, na eventual ocorrência de falhas.
Dois
sistemas são essenciais no processo de apuração
da eleição: o transportador, que tem como função
a leitura do disquete gerado na urna e sua transmissão
para o centro de totalização e o totalizador, que
tem como função a recepção dos dados
enviados pelos transportadores, a extração do resultado
de cada seção eleitoral e a totalização
dos dados da eleição.
O
transportador consiste em um conjunto de aplicativos instalados
em uma máquina sob a guarda do juiz eleitora, cujas funções
principais são: a leitura dos disquetes provenientes das
seções eleitorais; a cópia dos arquivos de
dados contidos nos disquetes, entre eles o BU; o armazenamento
dos arquivos extraídos dos disquetes; e o posterior envio
dos mesmos ao computador de totalização.
O
software do transportador é instalado em plataforma Windows
NT, em máquinas que ficam normalmente no próprio
local de apuração. A transmissão dos arquivos
para o totalizador é feita em lotes, isto é, vários
disquetes são lidos, seus conteúdos armazenados
localmente e, posteriormente, transmitidos ao totalizador em um
único bloco. A transferência de dados entre o transportador
e o totalizador é feita através de uma rede de computadores.
A
rede utilizada é privada e não tem conexão
direta com redes públicas. A integridade física
da rede é garantida pelo isolamento do local de apuração
e pela restrição do acesso aos computadores de rede,
permitido somente a pessoas autorizadas. O totalizador é
formado por um conjunto de aplicativos instalados em um computador
com plataforma Unix (HP/UX) ou Windows NT, instalados nos TREs
ou em zonas-mãe eleitorais.
Sua função é processar os arquivos enviados
pelo transportador e fazer a totalização dos resultados.
Apesar
dos êxitos alcançados o sistema tem sido criticado,
especialmente por não emitir qualquer comprovante de votação
o que impede uma auditoria, nem do voto individual, nem da contagem
dos votos de cada seção, muito embora em sua proposta
original para a urna de 1996 Carlos Rocha tenha previsto a impressão
de um comprovante, no entanto tal característica foi suprimida
pelo TSE.
Um
projeto de lei PL 194/99 encaminhado pelo senador Roberto Requião
à CCJ do Senado propõem: 1) que se desvincule a
identificação do eleitor da máquina de votação;
e 2) que seja permitida a conferência da apuração
por meio da impressão do voto que será usado em
conferência estatística. Até as eleições
de 1996 as eleições no Brasil foram integralmente
realizadas através de processos manuais, o que sempre causou
muita discussão e polêmica, com a ocorrência
comprovada de muitas fraudes.
O processo de totalização e divulgação
nunca foi questionado até que em 1982 ocorreu o caso Procosult,
que colocou abaixo a confiabilidade nos programas de computadores
que faziam a totalização dos documentos recebidos
das seções eleitorais.
Estava,
naquele momento consubstanciada a possibilidade de alteraçào
de resultados eleitorais, caso não houvesse auditoria sobre
os programas de computador. Desde então tem-se implementado
mecanismos de auditoria que permita a verificação
dos processos de apuração.
Segundo
Carlos Rocha: "Ainda em 96, tendo concebido um produto inédito
a nível mundial, depositamos o pedido de patente de invenção,
no INPI, para o nosso projeto de urna eletrônica, e, em
97, a Omnitech recebeu, do MCT - Ministério da Ciência
e Tecnologia, o Certificado de Tecnologia desenvolvida, no País,
só concedido a produtos que apresentem relevantes inovações
tecnológicas, a nível internacional, e comprovem
a realização integral do projeto, no Brasil".
Apesar
do registro do pedido de patente do engenheiro ser de 1996, a
disputa pela paternidade da urna só começou em 1999,
após a divulgação do resultado da licitação
para o fornecimento de urnas para as eleições municipais
de 2000. Nessa ocasião, Rocha não estava mais ligado
à Unisys. Tinha se associado à Itautec, que foi
uma das três concorrentes.
Em
1996, o tribunal não tinha se preocupado em pedir a patente.
No edital de dezembro de 95 e no contrato com a Unisys, um artigo
determinava a transferência definitiva "dos direitos
patrimoniais de autoria" para o TSE. Mas Rocha alega que
o texto não impede o registro de sua patente.
O
contrato do tribunal com a Unisys fala em cessão de direitos
autorais "que decorram da utilização direta
ou indireta pela Justiça Eleitoral". Segundo Carlos
Rocha "Isso é apenas direito de uso. O direito autoral
é de quem criou. E o TSE não criou a urna. Tanto
é que, no início, deu as diretrizes básicas
e surgiram três propostas completamente diferentes".
afirma.
O
secretário de Informática do TSE, Paulo César
Camarão, ao contrário, sustenta que foram os técnicos
do tribunal que idealizaram a urna eletrônica e listaram
o que queriam em 94 itens que deveriam ser seguidos pelas empresas
interessadas em fornecê-la ao TSE: "A Unisys desenvolveu
o projeto decidido pelos técnicos do tribunal, sem mudar
nada", alega Camarão.
O
TSE, que fez uma solicitação de patente apenas em
1998 (PI9806563-7), alega que as especificações
mínimas do projeto e reproduzidas no pedido de patente
de Moretzshomn já haviam sido tornadas públicas
no edital de licitação das urnas usadas na eleição
de 1996.
Independente
desta discussão de paternidade, a urna eletrônica
despertou interesse do governo americano, desgastado com o processo
de apuração mecânico (com uso de cartões
perfurados) e a necessidade de recontagens de votos no estado
da Flórida nas eleições presidenciais de
2000 em que disputavam Al Gore e George Bush. A Procomp, que foi
adquirida pela americana Diebold em 1999, ganhou uma licitação
no valor de US$ 54 milhões para fornecer urnas eletrônicas
ao Estado da Geórgia (EUA).
O
contrato, que representa a maior venda de sistema de votação
até hoje nos Estados Unidos, inclui mais de 19.000 terminais
touch-screen AccuVote-TS a serem distribuídos pelos 159
condados do Estado. Cada unidade de votação AccuVote-TS
é equipada com um monitor de 15 polegadas do tipo touch-screen,
para facilitar o uso pelos eleitores, e possui um sistema de orientação
por voz e teclado numérico padrão para os eleitores
com deficiência visual.
Franklin
Almeida, assessor de planejamento de informática do TSE,
afirma que o Tribunal detém os direitos de propriedade
intelectual do processo de votação eletrônica
e que a patente está sendo requerida junto ao INPI. Por
outro lado, de acordo com Otaviano Galvão, presidente da
Microbase, empresa que desenvolveu o software para as urnas, o
trabalho do TSE se resumiu a especificar e acompanhar os editais
de licitação do processo.
O
executivo, que acompanhou o processo desde 1996, diz que a Omnitech
é responsável pelo projeto e pela produção
das urnas para a Unysis que por sua vez, licenciou-as para o TSE.
O
ministro da C&T, Eduardo Campos, anunciou em novembro de 2004,
o primeiro contrato de exportação de urnas eletrônicas
brasileiras. No valor de US$ 62,4 milhões, o contrato assinado
com a Junta Central Eleitoral da República Dominicana prevê
a exportação de cerca de 13 mil urnas, para serem
utilizadas nas eleições de 2006 daquele país,
além de um conjunto de programas de computador.
O
negócio está sendo viabilizado por um consórcio
formado pelas empresas Softek, de Porto Rico, a Samurai, do Brasil,
e a SOINCA - Sociedade de Engenheiros do Caribe, da República
Dominicana. Com a assessoria do CESAR (Centro de Estudos e Sistemas
Avançados do Recife) a Samurai realizará os ajustes
necessários para adequar o sistema brasileiro à
realidade dominicana. A solução brasileira também
estará integrada a um sistema de automação
do registro civil, que emite a carteira de identidade, também
utilizada para as eleições.
Fonte:
http://www.brunazo.eng.br/voto-e/noticias/tribuna2.htm
http://www.tre-sc.gov.br/eleicoes/ue/index.htm
http://www.tre-sc.gov.br/institucional/historico.htm
http://www.fiepr.com.br/netclip/2000/1611col.htm
http://www.estadao.com.br/tecnologia/coluna/stanton/2000/dez/18/207.htm
http://www.brunazo.eng.br/voto-e/indice.htm
http://www.brasnorte.com.br/pagina_curiosidades.htm
http://www.tre-sc.gov.br/eleicoes/eventos/ev1991.htm
http://www.cic.unb.br/docentes/pedro/trabs/e-urna.htm
http://www.certi.org.br/proj_urna.htm
http://www.tj.sc.gov.br/resenha/novembro/resenha16.htm
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