09/02/07
- Peu Meurrahy. Ele é percussionista, atualmente está
na banda da Marisa Monte, cantor e compositor.
Mais
que isso, é um ambientalista, preocupado com um tipo de
lixo que não pára de crescer, o pneu. "Estava
morando em São Paulo. Um dia, vi um monte de pneus na Marginal
Tietê, um cenário horrível, o lixo destruindo
a natureza.
Isso foi há uns cinco anos", conta. Aquela cena mudou
a vida do músico, que resolveu procurar uma solução
para o problema. E a solução foi musical. "Comecei
a viajar em como transformar o mudo pneu em tambor? Ele não
emite qualquer tipo de som, ele abafa o som. Foi o maior desafio
da minha vida".
De volta à Bahia, foi chamado de maluco, de visionário
resolveu fazer os pneus falarem, reciclando-os. "A reciclagem
do pneu é um desafio para os ambientalistas. Até
hoje nenhum pneu se decompôs (foi inventado em 1891 pelos
irmãos Michelin), e só em São Paulo são
jogados fora 1 milhão de pneus por ano".
Depois
de muitos testes em serralharias, Peu inventou a engenhoca, uma
estrutura metálica que encaixada dentro do pneu, faz com
que ele soe. "A primeira que fiz não ficou boa, era
como pegar um surdo-mudo levar para a cirurgia e curá-lo."Na
quarta tentativa nascia o Pneu Drums, um novo tipo de tambor,
totalmente reciclado.
"Ele tem afinação e pode ser tocado girando,
o músico não precisa ficar parado. A timbragem da
borracha tem personalidade, é um som mais grave, mais pesado.
É uma espécie de zabumba futurísta",
define.
Peu
começou a dedicar as horas vagas para o Pneu Drums. Começou
a "passear" em lixões e aterros, conversar com
borracheiros e serralheiros, à procura de novos modelos
de pneus de carrinho de pedreiro a Fórmula 1, e técnicas
de manuseio. Ele pretende fazer cem tambores em seu ateliê.
"Para ter como base, um diferente do outro, com timbres e
afinações diferentes", destaca. Hoje tem cerca
de 40, inclusive uma bateria completa. Por enquanto não
vendeu nenhum, até por que não é essa sua
intenção. Apenas presenteou Naná Vasconcelos,
que adorou a novidade.
"Sou também arte-educador e quero multiplicar minha
invenção, ensinando crianças pobres a fazê-los
e tocá-los, e por que não, vendê-los",
espera. Recentemente ele participou de um projeto educacional
em Salvador. "As crianças aprenderam a tocar muito
rápido e adoraram, depois não queriam nem devolver
os tambores", conta.
"É
a transformação do lixo em arte", diz."Façam
as contas, cada carro tem cinco pneus, que são trocados
a cada cinco anos. O lixo é enorme. E é no mundo
inteiro. E a cada dia que passa é pior.
Peu
quer mesmo socializar sua invenção, quer dividi-la
com o maior número possível de ONGs. Já conversou
com Raí, presidente da Fundação Gol de Letra,
e pretende entrar em contato com os Meninos do Morumbi.
"Eles abriram o show da Marisa Monte no Parque do Ibirapuera
(SP). Realmente tocam muito bem, seria maravilhoso se pudessem
fazer e usar os Pneu Drums", comenta. E não são
apenas tambores.
"Faço mesas de centro, camas, puffneus, cadeiras,
mesas e caixas de som", conta. Além disso inventou
um palco móvel, que monta em cima de sua Ford Rural 67,
para poder viajar para vilarejos do interior da Bahia, como sua
cidade natal, Armagosa.
"É o projeto Reciclagem, Movimento e Desenvolvimento,
ou simplesmente Zona Rural. A comunidade local é avisada
por um carro de som, a Rural mesmo, e abro espaço para
os artistas da região que queiram fazer as suas performances
em praça pública, fazemos um show e palestra sobre
reciclagem".
Quem patrocina tudo isso? "Ninguém mas já estou
pensando nisso, vou procurar os fabricantes de pneus", diz.
O Brasil hoje produz cerca de 32 milhões de pneus por ano
e o reaproveitamento com a recauchutagem é de apenas 40%.
Enquanto isso não acontece, Peu continua na batalha, tocando
pelos palcos do mundo, preocupado com o meio ambiente e com a
miséria. E mais.
Ele
está preparando seu primeiro CD solo, Som Pra Cliente,
com muito soul, temperado com o suingue da Bahia. "Pneumaticamente
falando, eu reciclei meu som", brinca. O nome de batismo
de Peu é Jâmisson Jorge Santana dos Santos. Peu é
seu apelido de criança, quer dizer bola, e Meurrahy é
o sobrenome de sua esposa. Mas pelo jeito ele ficará para
história como Peu do Pneu.
Fonte:
http://www.reciclaveis.com.br/noticias/00110/011015musico.htm
http://www2.uol.com.br/simbolo/raca/0599/controle_q.htm
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