01/02/07 - O inventor Sebastião
de Carvalho Leme residente em Marília (interior de S.Paulo)
trabalhou como diretor do Departamento Fotográfico da Companhia
Cinematográfica Vera Cruz na década de 50 e já
fez diversas exposições pelo Brasil com as imagens
produzidas pelo seu invento, e muito premiado em concursos fotográficos
diversos.
Foi o Fundador
do "Foto Clube de Marília" e participou ativamente
da Comissão de Registros Históricos da Cidade de
Marília e da União dos Treze. Também ministrou
cursos no Clube de Cinema de Marília . O invento da máquina
foi patenteado por ele em 26/11/1957 no Departamento Nacional
de Propriedade Industrial.
Em 1957 um empresário
solicitou uma fotografia de seus prédios em uma confluência
de 3 esquinas e o seu interesse era mostrar o conjunto dos prédios
em uma só foto, o que necessariamente teria de ser em 360º.
Usando uma Rolleiflex
com cabeça panorâmica foram tirados 10 negativos
que, ampliados e montados, resultaram numa foto com 360º.
Daí surgiu o desafio: Por que não tirar num só
negativo uma foto 360 graus? Leme pôs este desafio na "agenda"
de sua mente e passou a cogitar uma solução.
O embrião
de uma idéia surgiu. Numa latinha de massa de tomate instalou
uma objetiva, um dispositivo interno que é o princípio
da invenção e um pedaço de filme fixo dentro
da lata. Com a mão fez girar a objetiva, fazendo, assim,
o primeiro teste para sentir as possibilidades.
Este teste foi
feito em frente ao Senai. Revelando o filme foi comprovada, precariamente,
a possibilidade de se tirar fotos em 360º. Feito o primeiro
protótipo, já mecanizado, veio a confirmação.
Foram feitos 3 protótipos que consumiu cerca de um ano
de aperfeiçoamento.
Neste ínterim,
certo de ter conseguido a solução para tirar fotos
com 360º, Leme providenciou o processo de patente que tramitou
durante alguns anos no Departamento Nacional da Propriedade Industrial,
tempo em que são pesquisadas a viabilidade do sistema e
a existência de similares, concedendo a patente em 23/4/62
sob nº 61.472.
Cerca de 20 anos
após a concessão da patente surgiu nos Estados Unidos
um sistema similar, sem, contudo, o dispositivo interno acima
referido. A máquina esteve inativa durante 15 anos. No
final de 1997 foi reativada e aperfeiçoada, passando, novamente,
a ser usada. O inventor procurou de diferentes formas industrializar
seu invento.
Sebastião
relata: "Logo no começo de uso da máquina,
já patenteada, fotografando um comício pró
Carvalho Pinto a governador em Osvaldo Cruz, no qual estava presente
Jânio Quadros, então governador, ele, Jânio,
se interessou pela máquina e mandou me chamar para saber
o que eu precisava para desenvolver meu projeto.
Disse-lhe que
dependia de um projeto de miniaturização da máquina
e que o IPT podia fazê-lo (órgão do Governo
do Estado). Imediatamente determinou que o IPT iria fazê-la.
Alguns dias depois recebi uma carta do Profº.
Maffei, então
Diretor do Instituto de Pesquisas Tecnológicas, me convocando
por ordem do governador para tomar conhecimento do meu caso. Fui
lá com a máquina e o contatei tendo ele pedido que
fosse ao Butantã e tirasse uma fotografia com a presença
do fotógrafo do Instituto. Respondi que não precisava.
Convidei-o para
descer ao jardim que circundava o prédio, atras da Estação
da Luz, para tirarmos uma foto 360º na qual ele e eu apareceríamos
para comprovar. Feita a tomada fiz uma tremenda ginástica
em São Paulo para revelar o filme e imprimir uma cópia
para no dia seguinte lhe mostrar.
Comprovado a veracidade
me informou que em 15 dias receberia uma carta sua. A carta recebi,
mas dizendo que o IPT não tinha verba e assim que a tivesse
me convocaria. Aguardo essa convocação até
hoje."
Uma nova tentativa
foi feita: "Contando com a colaboração solidária
do Dr. Argolo Ferrão, Prefeito Municipal de Marília,
fui encaminhado ao Cel. Faria Lima, ex-prefeito de São
Paulo e então Secretário de Obras Públicas
do Governo Estadual Carvalho Pinto, para que, com seu prestígio,
tentasse outra solução.
O Cel. então
me encaminhou ao ITA em São José dos Campos com
apresentação ao Prof. de física da escola,
Dr. Paulus Saulos Pompéia. Recebido cordialmente ele fez
consultas a livros e constatou que de fato tratava-se de uma invenção.
Disse que o ITA
nada podia fazer pois tinha uma programação estabelecida
e não podia elaborar um projeto de terceiros, mas que ele,
pessoalmente, poderia fazer um memorial descritivo da invenção,
em inglês e português, para publicação
na Revista Ciências afim de salvaguardar os direitos.
Isto, naquele
momento, não atendia as minhas aspirações.
Dispensei. O Cel. Faria Lima disse que voltasse a ele se nada
conseguisse. Voltei. " No entanto, este novo contato, desta
vez com o Cel. Milanez comandante do Parque da Aeronáutica
com sede no Campo de Marte em São Paulo, também
não logrou qualquer êxito em contar com apoio do
ITA.
Ainda em sua peregrinação
na tentantiva de industrializar seu invento, Sebastião
desta vez, foi indicado para um empresário do setor: "O
Cel. Faria Lima através de um amigo me encaminhou à
indústria de ótica D. F. Vasconcelos, fabricantes
de teodolitos, binóculos e da pioneira máquina fotográfica
de caixão que tinha o nome de Kapsa.
Recebido atenciosamente
pelo dono, Dr. Décio Vasconcelos, o mesmo tomou conhecimento
do caso e marcou uma reunião para o dia seguinte.
Nessa reunião,
no dia seguinte, estavam presentes, além do Dr. Décio,
a cúpula da área de produção, inclusive
o engenheiro projetista. Mostrei a máquina e fiz uma explanação
sobre o princípio e funcionamento da mesma.
Daí foram
consultar livros de física e outros referentes à
ótica e fotografia, concluindo (modéstia a parte)
que se tratava de verdadeiro "ovo de Colombo" (expressão
deles no momento).
Diante das conclusões
que chegaram o Dr. Décio decidiu que iriam fabricar a máquina".
No entanto a empresa não possuía estrutura para
montar um protótipo. O engenheiro chefe da empresa lhe
informou: "Sr. Sebastião aqui na indústria
sou o único engenheiro projetista que pode fazer o seu
projeto.
Se for fazê-lo
terei que ficar uns dois meses na prancheta e a fábrica
pararia porque toda a coordenação aqui dentro está
aos meus cuidados. Diariamente pomos anúncios nos classificados
convocando projetistas para contratar, e não aparecem.
Daí a impossibilidade de iniciarmos a construção
da máquina. Se o Sr. nos trouxer um projeto pronto tornará
possível fazê-la".
Fonte: http://www.fundanet.br/cultural/quadros/leme/leme.htm
http://www.fotoemfoco.art.br/historia.htm
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