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Fernando Jacques de Magalhães Pimenta, ex-Cônsul do Brasil em Montreal, concede entrevista exclusiva ao informativo Bayou Brasil.

O ex-Cônsul-Geral do Brasil em Montreal, Fernando Jacques de Magalhães Pimenta, concedeu uma entrevista exclusiva ao informativo. A sua gestão foi marcada pela sua simplicidade, seu carisma eFernando Jacques de Magalhães Pimenta, ex-Cônsul do Brasil em Montreal, seu esforço em reunir a comunidade brasileira radicada na cidade e arredores. Atualmente ele continua no Ministério das Relações Exteriores como responsável pelo Departamento da África do Itamarati. Na entrevista ele se revela muito entusiasmado com o novo desafio, relembra as ações mais importantes durante a sua gestão e os amigos que levou no coração e, por esse mesmo motivo retorna sempre a Montreal para visita-los.

Diante deste novo desafio o ex-cônsul disse estar muito satisfeito porque no momento há uma prioridade ao desenvolvimento das relações entre o Brasil e todos os países africanos .‘’Nós temos uma atividade constante, é um trabalho bastante gratificante e é justamente por isso que eu não pude me afastar mais que uma semana, temos recebidos muitas visitas de autoridades africanas, temos organizados muitos eventos e tem sido mesmo quase um ritmo febril de trabalho’’.

Tratando das relações na área politica do Brasil com os países africanos, ele revelou que o comércio global do Brasil com a África quase dobrou de 2003 para 2004. Passou de 6 bilhões de dólares para 10,5 bilhões de dólares.Alguns países tem cifras mais expressivas como a Nigéria, a Argélia e Angola mas no geral, vem se desenvolvendo praticamente com todos os países. ‘’Nós fornecemos a alguns países derivados de açúcar para outros é mais produtos manufaturados, parte de automóveis ônibus, enfim auto-peças, produtos de ferro e o petróleo que estamos importando de alguns países’’.

O presidente Lula visitou quase todas as nações africanas em abril deste ano, segundo Fernando Jacques o comércio multilateral é muito importante possibilitando essa integração com os países da África. ‘’Nós temos muitos interesses em comum, seja na área comercial, ambiental, na educação, enfim há várias afinidades, é muito importante promover essa aproximação com os africanos uma boa coordenação de posições com eles porque isso gera vantagens mútuas na hora de negociar acordos de nível internacional’’.

No caso da África foi dada uma prioridade muito grande e condizente com as afinidades culturais e históricas que há entre o Brasil e a África. Na última etapa da missão presidencial à África, no Senegal, teve particular significado para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e comitiva. Em visita à Ilha de Gorée, base de onde partiam os navios negreiros nos séculos XVII e XVIII, Lula conheceu um pouco mais da história dos escravos que construíram o Brasil e pediu perdão aos africanos pelo sofrimento imposto no passado.

Lula foi chamado, pelo presidente senegalês Abdoulayê Wade, de primeiro presidente negro do Brasil, pelo esforço do governo brasileiro contra a discriminação e pela integração social. Pelos habitantes de Gorée, Lula foi saudado com o grito que marcou a eleição do presidente senegalês: Soppi, que representa mudança. Wade chegou ao poder em 2000, em sua terceira tentativa de se eleger presidente, pondo fim aos 40 anos de governo do Partido Socialista em Senegal e a um mandato de 20 anos do presidente Abdou Diouf. O pleito foi considerado raro exemplo de democracia no continente africano.

Magalhães esclareceu que a política externa tem que guardar uma certa sintonia com a política interna. ‘’Na medida que há uma demanda por determinadas linhas de ação, procura-se implementar, eu acho que a afinidade que o Brasil tem com a África é uma afinidade evidente e nós estamos procurando justamente responder a essa afinidade desenvolvendo as relações no campo da educação, da cooperação técnica, da saúde, em vários setores’’.

Relembrando as ações mais importantes como Cônsul-Geral do Brasil em Montreal

Para Fernando Jacques, ser cônsul em Montreal foi tanto no nível pessoal como profissional muito positivo. ‘’Eu acho que aprendi muito, foi um trabalho diferente do que eu fiz no passado porque eu sempre trabalhei mais ligado a área política do Ministério, cuidando mais de como eu disse de relações entre Estados, foi a primeira vez que eu tive um contato mais frequente, mais institucionalizado mesmo com cidadãos brasileiros no exterior e aqui nós temos uma comunidade que é um número já significativo, nós estimamos em 4.000 a 4500 brasileiros’’. Quando ele chegou aqui em agosto de 1999 lembra que o consulado tinha cerca de 1.200 familias e quando saiu cerca de 1.400 familias.

Fernando Jacques explicou que o brasileiro não só aqui mas em vários outros países se integra com muita facilidade na sociedade local. ‘’Eu acho que esse espírito nosso de comunicabilidade, essa facilidade de se relacionar com outras pessoas, do brasileiro em geral facilita muito essa integração’’. Mas pode haver um lado negativo também, alguns brasileiros ao procurar se integrar rapidamente à sociedade local e alguns talvez, uma minoria, evita um maior contato com os brasileiros para facilitar esse processo de integração. ‘’Eu tive alguns exemplos enquanto estava aqui em Montreal, elas realmente preferiam não estar muito envolvidas com atividades brasileiras para que elas exigissem delas mesmas um integração mais rápida, mais firme, mas mesmo assim, eu sempre tive uma boa participação de muita gente da comunidade nos nossos eventos’’

O ex- cônsul contou que sempre notava um interesse também dessas pessoas em manter essas raízes com o Brasil. Disse ser muito difícil precisar em termos de quantidade mas que uma parte muito significativa da comunidade mantém muito viva essa ligação com o Brasil, seja através de parentes que estão lá no Brasil, seja através de outras pessoas que estão aqui. ‘’Eu acho que os brasileiros não perdem digamos totalmente as raízes, eles se integram com facilidade realmente, criam gosto pela cultura local, pelo modo de vida local, mas pelo menos a grande maioria dos brasileiros que eu conheci, nunca perdeu sua vinculação com o Brasil’’.

Quando ele chegou em Montreal, lançou um catálogo dos artistas brasileiros que residiam aqui e de quebequenses e até de estrangeiros que gostavam de arte brasileira e praticavam arte brasileira. ‘’ Fizemos um catálogo e aí como vou dizer, eu criei um setor cultural com este título, porque já havia atividade cultural antigamente, poderia não ter sido denominado como setor cultural, promoção cultural ou o que seja, mais sempre existiu atividades de caráter cultural, eu apenas criei, dei nome ao setor, incumbi dois colegas que se ocuparam desse setor durante os cinco anos que eu estive aqui enfim, essas pessoas acompanhavam mais de perto as atividades que se produziam aqui em Montreal. Toda vez que a gente sabia que um artista brasileiro vinha expor pinturas ou apresentar shows da área musical nós informávamos a comunidade, informávamos o Conselho, o pessoal do Conselho por sua vez também nos informava de brasileiros que vinham se apresentar aqui em Montreal e nós repassávamos para outros, então funcionava assim, atraves de e-mails porque o consulado também, nós nunca tivemos assim, muitos meios para difusão cultural’’.

Em relação a verbas, Fernando Magalhães disse que o Ministério da Cultura tem muitas limitações de caráter orçamentário mas mesmo assim, o departamento cultural do seu Ministério deu muito apoio durante todo o período que esteve em Montreal. ‘’O catálogo foi editado com o apoio do departamento, houve outros eventos que nós promovemos também e que contou com o apoio financeiro do departamento de forma que mal ou bem, nós conseguimos fazer as coisas’’.

Sobre Montreal ele falou que é uma cidade muito aberta a manifestações culturais das mais variadas regiões geográficas. Citou que o ex-prefeito Pierre Bourque, que sempre mostrou muito interesse também pela parte cultural, evidenciando muita simpatia não só pelo Brasil mas pela América Latina em geral. ‘’Nós tivemos alguns contatos no nível do corpo consular muito bom com ele, inclusive eles começaram durante a gestão dele um projeto cultural com a coordenação da Silvana Vilata e todos os anos eles promoviam projetos culturais de algumas comunidades da Grécia, do Haiti, do Brasil havia sempre, e nós tivemos a sorte de ter sempre um projeto brasileiro selecionado. Quem cuidava desses projetos aqui era a Julia Suani, da Peteca Produções. Ela fez pelo menos uns cinco projetos com o apoio da prefeitura, com o apoio da Unesco e foi uma atividade muito interessante, e nós apoiávamos sempre, como o Tropicalismo, a Rota dos Escravos enfim, foram várias manifestações culturais’’.

Na sua avaliação o trabalho mais importante foi dar continuidade a um processo que já estava sendo implantado antes da sua chegada, ou seja, de desenvolver um relacionammento com a comunidade. ‘’Eu acho que nós conseguimos aqui graças a essa continuidade, dar uma evidência ao Brasil e a comunidade brasileira de Montreal possivelmente sem precedentes porque muita gente começava a notar o Brasil aqui, seja na forma de produções de arte, de espetáculos musicais, conferências. Também durante a gestão de Fernando Magalhães foi a criado o Centro de Estudos Brasileiros da Universidade do Quebec em Montreal-UQAM, que promoveu muito o Brasil em Montreal, ‘’essa iniciativa ampliou o interesse dos quebequenses pelo nosso país, eles promoveram diversas conferências e atividades , nós tambem criamos um leitorado de língua e cultura brasileira nessa mesma universidade , as várias iniciativas se somaram para dar realmente uma maior projeção não só ao Brasil mas aos brasileiros aqui na cidade, acho que isso é importante porque é sempre um fator que gera interesse, gera oportunidades de cooperação, de entrosamento, acho que isso foi um dado importante’’.

Ás vezes acontecem alguns eventos em uma semana não muito propícia e na sua mensagem de despedida ele assinalou a necessidade de uma maior participação da comunidade. ‘’O brasileiro anima muito sobretudo quando é espetáculo de música, no esportivo também o brasileiro dá um toque, um colorido especial e eu achava que podia haver uma participação maior já naquela epoca, eu já estava achando que podíiamos ter mais gente, alguns eventos notávamos claramente que a presença maior era de quebequenses ou de latino-americanos, mas isso, eu ao sair, eu estava lembrando carinhosamente às pessoas a necessidade de se fazerem presentes em maior número e tudo mais, porque na minha época esteve aqui a seleção feminina de futebol e com muitas dificuldades conseguimos reunir uma torcida organizada para ir lá no estádio’’.

Também durante a sua gestão Magalhães procurava aproveitar todos os meios disponíveis de comunicação para divulgar o Brasil e tudo mais para fazer um trabalho de cooperação. ‘’A gente procurava usar muito o programa da Gilda Salomone, mas eu acho que aos poucos as coisas podem mudar, quando eu cheguei aqui as pessoas do conselho de cidadãos gostariam de fazer um informativo mas ai acabaram desistindo porque a comunidade ainda era muito pequena, por exemplo Toronto tinha informativos, mas lá a comunidade já era maior, mais casas comerciais que poderiam dar mais apoio financeiro para editar com a publicidade, eles chegaram até a fazer contatos para ver se conseguiam fazer um trabalho com um pouco de cooperação mas nada deu certo e infelizmente não aconteceu. (O ex-cônsul Fernando Jacques de Magalhaes ficou de dar um parecer sobre o nosso informativo, estamos aguardando sua manifestação para publica-la.)

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