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Daniela
Mercury em Montreal

‘’Meu
sonho é levar o samba reggae para o mundo’’ revela
Daniela Mercury
A
música baiana, a cultura brasileira e a energia contagiante do
samba-reggae toma conta do mundo. ‘’Meu sonho é ver
o mundo sambar o samba-reggae, a música do nordeste. Estou tentando
colocar o nordeste do mapa do Brasil para o mundo que antes só
tinha como referência o samba do Rio de Janeiro e estamos conseguindo
isso’’. A cantora Daniela Mercury prossegue na maior turnê
internacional de sua carreira com 31 shows em 28 cidades da Europa, Estados
Unidos e Canadá.
Daniela
Mercury apresentou-se no Metropolis na ultima sexta-feira, (28) dentro
da programação do Festival de Jazz à L’année.
É a primeira vez que Daniela faz um show completo em Montreal.
Ela ja participou do Festival de Jazz em 2003. ‘’Eu já
tinha um desejo enorme de vir pra cá e nessa minha luta, nessa
minha busca para internacionalizar a carreira, o Canadá é
um país importantíssimo, eu fiquei surpresa na primeira
vez que eu vim pela receptividade do Festival de Jazz de Montreal’’
Em 2004 ela foi convidada para participar das comemorações
dos 25 anos do Festival de Jazz e dos 20 anos do Cirque du Soleil. ‘’Eu
fiquei extremamente honrada e felicíssima e agora estou dando somente
continuidade a essa minha relação’’. Daniela
explica que essa relação especial com Montreal acontece
porque é um cidade com uma influência francesa muito presente‘’afinal
de contas, eu tenho uma carreira na França, então isso tudo
ajuda, tanto o sucesso na França como o sucesso em Portugal, como
no Brasil também, e fazem que outros países aos poucos conheçam
mesmo que de longe, resultando em comunidades que já acolhem com
mais fervor os discos e os shows. Aqui é uma mágica linda,
acho que realmente há alguns países que tem uma abertura
para a arte para a música do mundo, tem interesse na música
do mundo e sem dúvida Montreal é uma dessas cidades que
tem esse interesse e o Canada é uma país que culturalmente
é muito aberto, afinal de contas, ja é um país que
fala duas linguas, pra falar mais uma terceira (rs) não é
difícil, eu espero tambem fazer o Canadá compreender o que
é o Brasil’’.
A
receptividade nos países foi tão grande que ela tem dificuldades
de avaliar ‘’É dificil distinguir, mesmo na Finlândia
foi uma surpresa enorme saber que eles gostavam tanto de mim, também
na Turquia, Israel, são países que eu me surpreendi muito
com a receptividade do público, as pessoas conheciam as músicas
dançavam todas as músicas, são línguas muitos
distintas. O lugar que me surpreendeu mais ao longo desses anos e tem
me surpreendido constantemente é a Alemanha que também não
conhece quase nada da música brasileira mas reage fortemente. Eu
fiz poucos shows na Holanda mas fiz um especial no North Sea Jazz Festival
e o público se acabou de dançar e eles até colocaram
no jornal lá que eles sem conhecer o repertório começaram
a dançar e cantar. Isso é a mágica que a gente faz,
porque as rítmicas brasileiras são muito contagiantes, muito
distintas, originais e ao mesmo tempo compreensíveis porque afinal
de contas somos todos ocidentais, então eles ficam loucos com a
performance do palco com os músicos e os bailarinos’’.
Ela recebeu criticas positivas nos jornais mais importantes dos Estados
Unidos, o New York Times, Los Angeles Times, Washinton Post e Chicago
Tribune. ‘’Eu acho que é um sinal que esta havendo
uma penetração realmente, uma confirmação
uma chegada de um novo gênero musical, porque a bossa nova ja é
conhecida, os tropicalistas são conhecidos, mas
a gente é diferente, a minha geração traz outros
elementos, primeiro porque é muito mais dançante do que
todos ja fizeram e eu trago a mistura da música tradicional com
a modernidade e trago comigo o ritmo do nordeste não só
da Bahia mas de Pernambuco,
por exemplo, eu canto músicas do Chico Science, do Lenine que são
do meu repertório e que tem mistura de maracatus, batidas completamente
distintas, eu já encontrei vários produtores musicais nos
Estados Unidos que ficaram loucos ao longo desses anos e que me disseram
que conheciam todos os meus discos. Eles dizem -a gente esta tentando
entender que rítmos são esses, mas realmente, há
um reconhecimento.
Daniela
ressalta que ja fez parceria com Quincy Jones, ‘’fui para
Noruega cantar no Prêmio Nobel, cantei com Paul McCartney e as pessoas
tiveram uma receptividade para ‘’Pérola Negra’’
que é um samba-reggae típico, o nosso ileaê , acho
que realmente reflete que a nossa música não tem fronteiras,
mesmo essa nova música rítmica e acho então que já
estamos conseguindo com essa minha insistência, estou muitos anos,
são mais de dez anos de carreira internacional, estou conseguindo
faze-los entender que temos muitos tipos de sambas diferentes, muitos
ritmos diferentes, que o Brasil é muito plural em termos musicais,
agora mesmo tinha a banda que abriu o show, o Gaïa, eu perguntei
antes de começar aos meninos -voces fazem música brasileira,
mas que tipo de música brasileira? -Ah! A gente faz samba-funk
então eu disse, ah! é a turma meio que puxando a influência
de Jorge Ben Jor do Rio de Janeiro. É meu sonho ver o mundo sambar
o samba-reggae a música do nordeste, estou tentando colocar o nordeste
do mapa do Brasil para o mundo que antes só tinha como referência
a do Rio de Janeiro. E Estamos conseguindo isso’’.
Carnaval
Eletrônico é um disco que foi lançado há um
ano e meio no Brasil. ‘’Essa turnê que eu estou trazendo
é um disco especial, eu reuni alguns dos DJs e produtores de música
eletrônica mais expressivos do país, além de Gilberto
Gil, Lenine e Carlinhos Brown para comemorar os cinco anos de existência
do primeiro trio elétrico de música eletrônica que
desfila no carnaval baiano. Na verdade o meu carnaval na Bahia é
um carnaval normal que eu canto com minha banda, mas eu faço um
dia sem cordas, que é o Carnaval Eletrônico’’.
Há
dez anos atrás Daniela inagurou o Circuito da Barra Ondina, um
circuito que se estabeleceu. ‘’ Há um grande circuito
hoje na Bahia, tem um carnaval de mais de dois milhões de pessoas
que move uma economia de milhões, muitos artistas já famosos
no Brasil e internacionalmente participam e convidam um público
muito mais amplo do que havia’’.
Daniela
compara o carnaval de antigamente com as marchinhas tradicionais, ela
revela que houve uma ruptura, ‘’A gente tem uns três
ou quatro carnavais diferentes no Brasil, os principais os distintos são
o do Rio, de Pernambuco e o da Bahia, o da Bahia é o que se modernizou,
manteve aquele jeito espontâneo, manteve aquele carnaval de rua,
porém se profissionalizou muito nos últimos quinze anos.
Coincidentemente foi a gente da nossa geração que fez essa
música de carnaval virar essa música pop, urbana e ser exportada
para o resto do Brasil como um conceito distinto, mas depois de Armandinho,
Dodô e Osmar, dos frevos de Caetano, de Moraes de tudo, essa geração
que veio realmente trazendo uma nova linguagem sem duvida, o carnaval
da Bahia hoje é um carnaval imenso com mais pessoas nas ruas com
camarote por toda a avenida’’.
Daniela
diz que se sente como se fosse uma atleta levando a bandeira e a cultura
do Brasil. ‘’É uma das coisas que me move porque senão
eu não teria tanto desejo de estar fora do país, é
legítimar a minha música, saber se é bom mesmo ou
não é, porque afinal de contas, a gente tem que dialogar
com o mundo enfrentar e saber se a gente é capaz disso como artista
individualmente, mas independente disso, o que me impulsiona principalmente
é fazer o Brasil ganhar espaço no restrito mundo da música,
o que me impulsiona é que a gente não tem nessa nova geração,
há muitos anos desde a bossa nova, não tem artistas que
tem conseguido ser grandes estrelas mundiais e eu vou lutar por isso porque
eu acho que o primeiro artista que conseguir isto vai abrir pra música
brasileira um mercado nunca visto pra todos nós’’.
Em
off : Daniela antes da entrevista...
Eu brinco (…) e ela me contesta ’’mas a gente tem que
fazer alguma coisa errada, senão a vida fica muito chata a gente
tem que ser errada um pouco não pode ser muito certinha não…’’
e em seguida completa, ‘’Ei, sabia que eu vou cantar no Vaticano?
É, eu vou cantar pro Papa este ano no dia 3 de dezembro eu vou
cantar no Oratório São Francisco Xavier na peça de
Natal e na Festa do Final de Ano que vai ser na mesma noite e vai ser
transmitido para a Itália e para a Europa toda’’, com
fala marota de baiana arretada repete ‘’É… vou
cantar pro Papa, eu vou me confessá, quem sabe eu chego lá
bem…’’
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