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Volume II - N.9 Setembro de 2005
Na Sala de Imprensa do Estádio Uniprix, onde se realizava a etapa canadense do Circuito Mundial de Vôlei de Praia, o diretor de imprensa do Vôlei Canadá me perguntou -onde está a comunidade brasileira em Montreal que não comparece em massa em um evento como este? claro que não sabia o que responder, e com raiva pensei com os meus botões, deve estar em casa olhando a grama crescer, mais além pensei deve estar no Brasil esperando o visto de vosso governo. Falhei na divulgação, falhamos todos, eu no papel de jornalista, a comunidade na desunião. Quando era assessora de imprensa no Brasil e convidava a imprensa da comunidade chinesa, italiana, portuguesa entre outras, não tinha idéia do significado, nao contextualizava a repercussão. Na verdade, minha idéia de comunidade era deturpada, sectária, grupos deslocados enfim, quando voce está no Brasil somos a comunidade brasileira como um todo e os imigrantes são pessoas a parte, eles é que se reúnem e criam comunidades, e eu nao queria ser imigrante, eu nasci lá, sou a terceira geração e, no meu caso então pior, explico, descendente de japoneses, os olhos não me deixam mentir, a comunidade para mim era algo inconcebível, não queria estar lá, queria estar com os brasileiros, não era imigrante, me considerava brasileira e queria estar integrada a comunidade do meu país. Ao desembarcar em Montreal, relembro meus avós no Brasil, vindo do outro lado do sol nascente, ávidos por um jornal semanal indecifrável, no qual apenas as fotos eram claras para mim, não participei, não assimilei. Hoje, não só posso imaginar, como sou pesquisadora no assunto felizmente minha tese de conclusão de curso foi examente este – ‘’O papel da imprensa japonesa no processo de integração e aculturação dos imigrantes à sociedade brasileira’’. Em resumo, com conhecimento de causa e ‘’vivência na pele’’, posso dizer que nossos filhos terão dificuldades em aceitar a ‘’brasilidade’’ se não valorizarmos nossas raízes, aproveitando oportunidades como esta de ensinar nossos filhos a amar suas origens, faze-los participar de eventos como este em que nossa bandeira foi levantada aqui em solo canadense com muito orgulho e glória, perdemos um grande momento de mostrar a eles que o Brasil não é so corrupção, violência e pobreza (quem sabe nossos politicos lá no Brasil não tenham um pouco de inspiração), é tambem alegria, persistência, é coragem, é vontade de vencer, como diz minha amiga Teodora, brasileiro tem força de vontade e vontade de fazer força, qualidade brasileira invejavel, somos assim, ao assistir a final da dupla Harley/Benjamin, perdemos a grande oportunidade de mostrar ao mundo o que é ser brasileiro. Quando tudo parecia perdido, Harley parou um segundo, refletiu, chamou a torcida para ele e conseguiu a vitória. Fica aqui a lição, e a pergunta -onde esta a comunidade brasileira em Montreal? Enfim, ainda bem que o público quebequense ama o Brasil de paixão, marcou presença, riu, chorou e gritou Brasil por nós. Penso que, ainda temos muito que aprender…
fotos: André Desautels (bayoubrasil.info)
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