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Dr. Ari Zekcer
24/10/07
- CIÊNCIA
& TECNOLOGIA, ESPORTE, MEDICINA & SAÚDE
A estabilização da economia, a facilidade
em adquirir pacotes turísticos para o exterior e
a baixa cotação do dólar tem propiciado
condições para que muitos brasileiros descobrissem
uma opção de modalidade esportiva que pode
ser praticada como atividade de lazer durante as férias.
Apesar de não ser tão novo, o esqui na neve
ganha a cada ano, mais adeptos vindos dos trópicos.
Muitos dos praticantes – profissionais ou não
– já estão de malas prontas para aproveitar
a temporada no hemisfério norte, já que em
geral, as estações de esqui por lá
abrem de novembro a abril.
Motivos
para aderir ao esqui na neve não faltam. Além
da adrenalina das descidas, a bela vista das montanhas geladas,
o desafio de um esporte em condições absolutamente
adversas às que, nós brasileiros, estamos
acostumados são algumas delas. Sem contar a oportunidade
de conhecer lugares impressionantes de países que
detém áreas montanhosas com estações
de esqui bem estruturadas. Entre eles estão Estados
Unidos, Canadá, Suíça, Áustria,
Itália, França e outros.
Quem
não ficaria maravilhado com uma vista da na região
de Trois Vallées, nos alpes franceses? Ou ainda,
curtir a dabalação de Aspen (EUA) depois de
esquiar? Dá também para alternar o esqui com
andar a cavalo na neve, dogsledding (um trenó puxado
por cachorros), patinação no gelo, snowmobiling
(dirigir snowmobiles, aquela espécie de ‘moto
da neve’) em Mont Tremblant (Canadá). Em outras
palavras, dá para aliar férias, atividade
esportiva e muita diversão num único “pacote”.
Porém,
é necessário ficar atento. O esqui na neve
é uma prática esportiva como qualquer outra.
Portanto, assim como tal, exige preparação
física e o uso de equipamentos adequados. Além
do par de esquis, capacete, luvas, botas, googles (óculos
especiais para proteger os olhos da neve), poles (bastão
que os esquiadores a fazer as manobras) e bindings (fixação
da bota no esqui) são os materiais básicos.
Um
estudo da University of British Columbia (Vancouver –
Canadá) apontou que desde a década de 1970,
os índices de lesão em esquiadores caíram
de cerca de 5 a 8 a cada 1000 para cerca de 2 a 3 a cada
1000 praticantes. A natureza das lesões também
mudou. As lesões na perna são cada vez menos
comuns, enquanto a incidência de entorses do joelho
e ferimentos membros superiores se tornaram mais freqüentes.
Em parte a melhor tecnologia aplicada aos equipamentos contribuiu
para minimizar muitas das ocorrências, mas ainda não
foi suficiente para enfrentar adequadamente o problema de
entorses do joelho.
As
lesões mais freqüentes acometem o joelho por
ser uma articulação de ossos ligados apenas
por ligamentos. No caso de atletas adeptos de modalidades
mais radicais é muito comum ocorrer entorse do joelho
quando os esquis se cruzam e o corpo roda sobre o joelho.
As lesões geralmente afetam os meniscos e ligamentos
cruzados, mais muitas vezes chegam a lesar a cartilagem.
Um trabalho
preventivo contribui muito para que eventuais lesões
não aconteçam. Iniciar a preparação
com reforço muscular dos membros inferiores (musculação)
num período de pelo menos três meses antes
de iniciar a prática já minimiza em muito
os riscos. Também é necessário contar
com a orientação de professores especializados
não só para adquirir técnica, mas também
para conhecer os equipamentos adequados e as pistas –
geralmente classificadas entre categorias como Aprendizagem,
Iniciantes, Intermediários e Experts - mais condizentes
com seu nível de habilidade no esporte.
Essas
são algumas dicas para que suas férias nas
estações de esqui não sejam “inesquecíveis”,
de uma forma como não deveriam. O ideal é
que a descoberta de um “novo” esporte possa
incentivar ainda mais as pessoas à iniciar a prática
regular de atividade física. Entidades como a CBDN
- Confederação Brasileira de Desportos na
Neve (www.cbdn.org.br) costumam divulgar o esporte a fim
de conquistar adeptos e propiciar o conhecimento sobre o
esporte e suas modalidades. Basta entender que o esqui na
neve já gerou variações tão
diversas como o gelande (salto na montanha durante a noite),
downhill (corrida com curvas e saltos) e freestyle aéreo
(salto com acrobacia); cross country (ou esqui nórdico:
uma maratona de esqui, com subidas, descidas e trechos planos),
entre outros.
*O
ortopedista Ari Zekcer é especialista em medicina
desportiva e cirurgia de joelho pela EPM – UNIFESP,
diretor da Zekcer Sports Medicine, coordenador da equipe
de ortopedia do Hospital São Luiz (SP), membro
efetivo de entidades como Sociedade Brasileira de Cirurgia
de Joelho (SBCJ), Sociedade Paulista de Medicina Desportiva
(SPAMDE) e International Society of Atrhroscopy, Knee
Surgery and Orthopaedic Sports Medicine (ISAKOS). Mais
informações: www.arizekcer.com.br