Petrobras
consegue US$ 750 milhões
em empréstimo no exterior
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27/09/06
A Petrobras acaba de fechar empréstimo externo de US$
750 milhões, segundo o diretor financeiro da empresa,
Almir Barbassa
Os recursos
serão utilizados para construção da plataforma
P-53.
A operação
foi liderada pelo ABN AMRO.
Trata-se de uma
operação conhecida como gerenciamento de passivos,
do inglês " liability management " , por meio
do qual a empresa pré-paga antecipadamente linha mais cara
e toma um novo empréstimo com taxas mais baixas.
A operação
inicial feita pela Petrobras em novembro de 2005 era de US$ 500
milhões e pagava um rendimento de 125 pontos básicos
sobre a Libor, taxa interbancária de Londres.
Tinha vencimento
em 25 de maio de 2012.
Neste novo empréstimo,
que acaba de ser fechado, o total subiu para US$ 750 milhões.
O prêmio
caiu para 37,5 pontos básicos sobre a Libor para os primeiros
três anos de vigência do empréstimo, ao final
dos quais a empresa terá opção de pagá-lo,
segundo Barbassa.
Se quiser manter
a operação, o prêmio sobe para 100 pontos
básicos até maio de 2012.
" A idéia
inicial é pagar em três anos, pois estamos com US$
10 bilhões em caixa " , disse Barbassa.
Se assim quiser,
a empresa pode financiar até mesmo com recursos próprios
a construção da plataforma, diz.
A estrutura do
empréstimo original e também do fechado agora em
setembro ajuda a reduzir riscos para os bancos.
O ABN AMRO "
compra " a plataforma da Petrobras, faz um leasing para uma
subsidiária da empresa no exterior (no caso a Charter Development,
com base em Delaware, nos Estados Unidos), que por sua vez aluga
as plataformas para a Petrobras no Brasil.
No final do financiamento,
ao realizar a última amortização, a plataforma
volta a ser da Petrobras.
É como se
fosse uma importação de serviços, que geralmente
não são afetadas por moratória de um país
ou centralização cambial.
Isso permite que
as taxas pagas pela empresa sejam reduzidas.
Participam do empréstimo,
segundo o " IFR Markets " , o Banco Espírito
Santo, o Bradesco, o Citigroup, a EDC (agência de crédito
à exportação do Canadá), o HSBC, o
Natexis, o Sumitomo Mitsui Banking Corporation (SMBC), o BBVA,
o Banco Santander Central Hispânico (BSCH), o Fortis e o
San Paolo.
Barbassa disse
que a emissão de títulos de até US$ 1 bilhão
de longo prazo que a empresa pensa em fazer para criar um novo
" benchmark " para sua curva de juros externa, agora
que a empresa tem o grau de investimento (selo de investimento
não especulativo), não será neste momento
de mercado volátil.
" Não
precisamos de recursos e por isso estamos sem nenhuma pressa "
, disse.
A Petrobras recomprou
antecipadamente, com recursos de caixa, US$ 1,216 bilhão
em papéis de sua dívida externa de um total de US$
2,95 bilhões ofertados em julho, para tirar do mercado
os títulos que pagam os maiores juros.
(Cristiane Perini
Lucchesi | Valor Econômico)