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Medicina
desportiva ajuda atletas
a superar efeitos de lesões |
04/07/07
- Estudos indicam que sobrecarga de movimentos estão
relacionados com 42,7% das lesões em atletas de elite
As condições físicas dos 5,6 mil atletas
que dentro de duas semanas disputam as 2.252 medalhas das
mais de 40 modalidades esportivas dos XV Jogos Pan-americanos
Rio 2007 são uma preocupação constante
das comissões técnicas dos 42 países
participantes. Mesmo com o acompanhamento profissional multidisciplinar,
é comum o atleta de alto desempenho sofrer ao longo
de sua carreira algum tipo de lesão por overuse (sobrecarga
de exercícios/movimentos das articulações)
ou por contato (colisão / disputa) com outros competidores.
“A
lista de nomes de brasileiros classificados para os jogos
é um exemplo. Vários de nossos atletas passaram
por tratamento e voltaram a competir, ganhar e até
estabeleceram recordes”, avalia o médico ortopedista
Ari Zekcer, cirurgião de joelho e especialista em
medicina desportiva pela Unifesp.
Além
de uma série de aparatos de última geração
para diagnóstico e tratamento mais precisos já
em operação, o desenvolvimento do setor abril
fronteiras para mais possibilidades no suporte e atendimento
de atletas de alta performance. “Novas técnicas
para tratar lesões musculares já estão
em estudo para garantir uma recuperação mais
rápida, eficiente e menos dolorosa”, lembra
Dr. Zekcer.
O
índice significativo de lesões justifica o
empenho dos profissionais do segmento. Um estudo realizado
pela University of Western Sydney (Austrália) indicou
que o overuse representa 68% das lesões na pré-temporada
e 78% dos ferimentos da estação de triatletismo.
Os anos de experiência do atleta no triatlo, as distâncias
elevadas de corrida, o histórico de ferimentos precedentes,
e o aquecimento inadequado são apontados como fatores
individuais que contribuem com incidência de ferimentos.
Outro
exemplo é o ocorrido das Olimpíadas de Atenas
(Grécia), em 2004, quando um total de 377 lesões
foi relatado depois de 456 partidas de futebol feminino
e masculino, handbol feminino e masculino, basquetebol feminino
e masculino, hóquei sobre grama feminino e masculino,
basebol, softbol, pólo aquático feminino e
masculino e vôlei feminino e masculino.
O
levantamento efetuado pela FIFA Medical Assessment and Research
Centre, de Zurique (Suíça), indicou que 50%
das lesões acometeram os membros inferiores e 24%
envolveu a cabeça ou pescoço do competidor.
Na média, 78% dos ferimentos foram causados pelo
contato com jogadores adversários. Já os atendimentos
do departamento de fisioterapia da Vila Olímpica,
estratificados pela National and Kapodistrian University
of Athens, indicaram que as lesões que mais prevaleceram
no total geral das competições foram as ocorridas
em decorrência de overuse (42.7%).
Overuse
e joelho - O overuse - ou super-uso – das articulações
do joelho leva à sobrecarga destas estruturas e provoca
o aparecimento de inflamações, seguidas de
dor e, em muitos casos, inchaço. Excluindo-se as
lesões por trauma, as tendinites e as inflamações
ao redor da rótula são as mais comuns, principalmente
em praticantes de corrida. Já a tendinite patelar,
também muito freqüente, é a inflamação
do tendão que liga a rótula à tíbia.
No overuse, nos movimentos com carga excessiva e principalmente
nos saltos de ginástica e corridas em terrenos irregulares
com descidas, ocorre a inflamação deste tendão.
No início o atleta passa a ter dor localizada abaixo
da rótula nos movimentos de saltos e nos agachamentos,
porém a dor se mantém após o exercício.
Em
casos de agravamento desses quadros, o atleta pode sofrer
a ruptura de ligamentos do joelho, fraturas por estresse
e rupturas musculares. “Medidas como o alongamento
adequado, treinamentos bem orientados com menos sobrecarga
das articulações e planejar o trabalho mais
intenso de treinos em períodos mais próximos
às competições contribuem bastante
para prevenir a ocorrência de lesões”,
comenta Dr. Zekcer.
Dr.
Ari Zekcer, diretor da Zekcer Sports Medicine, é
especialista em ortopedia e traumatologia pela Sociedade
Brasileira e Ortopedia e Traumatologia (SBOT), especialista
em medicina desportiva e cirurgia de joelho pela EPM –
UNIFESP
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