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GOLPE
DE ESTADO A MÍDIA, A FIESP E O MINISTRO DO
STM.
Laerte
Braga
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27/07/07 - O
discurso do ministro Olimpio Pereira da Silva Júnior,
do Superior Tribunal Militar (STM) feito a cadetes das Forças
Armadas, onde afirma, textualmente, que “um dia, não
se sabe quando, mas com certeza esse dia já esteve
mais longe, as pessoas de bem desse País vão
se pronunciar, vão se apresentar, como já
fizeram em um passado não muito longe, e aí
sim, as coisas vão mudar, o sol da democracia e da
Justiça brasileira vai voltar a brilhar".
É
a confissão pública que há um golpe
de estado em marcha contra o governo Lula. A incitação
ao golpe.
O ministro
não tem, por si, força para mobilizar nada
e nem falou chamando a si a responsabilidade por suas declarações.
Falou interpretando sentimentos e anseios golpistas de setores
do País. Velhos líderes do golpe de 1964,
empresários da FIESP (Federação das
Indústrias de São Paulo) e encontrou eco na
grande mídia, intérprete desses segmentos,
notadamente o grupo GLOBO, FOLHA DE SÃO PAULO, VEJA
e ESTADO DE SÃO PAULO.
Olímpio
Pereira da Silva, pai do ministro, foi o perito da Polícia
do Rio de Janeiro que emitiu o laudo atestando o “suicídio”
de Cláudia Lessin Rodrigues, um dos mais bárbaros
e hediondos crimes da história do Rio e do País.
Foi afastado do caso, pois se descobriu que Cláudia
havia sido assassinada depois de brutalizada por figuras
da classe média alta. Um deles ficou durante anos
na Suíça. Tinha dupla nacionalidade, o pai
era dono de um fábrica de relógios.
Olímpio
Pereira da Silva Júnior, o ministro, foi indicado
para o cargo pelo ex-presidente Itamar Franco. Entrou no
serviço público como promotor na Justiça
Militar Federal e no governo Itamar foi levado para a Advocacia
Geral da União pelas mãos do então
titular do cargo, José de Castro Ferreira.
Foi um dos
principais operadores do Governo no processo de privatização
de empresas, ainda no período Itamar Franco. José
de Castro Ferreira, curiosamente, foi vítima do golpe
militar de 1964 e, com toda certeza, não endossaria
as declarações do ministro. Não compactuaria
com golpismos.
O ministro
Olímpio Pereira da Silva Júnior não
tem prestígio e nem força suficientes para
mobilizar nada contra o governo Lula. De sua boca saíram
palavras de golpistas contumazes, interessados em abortar
um processo que, a despeito das várias críticas
que possam ser feitas, podem, tem significado para o Brasil
a saída do estado de letargia desde o governo Itamar
e principalmente do governo FHC.
Uma espécie
de interventoria de grandes grupos econômicos, bancos,
Estados Unidos do Texas, associados e ligados a grupos brasileiros.
Elites são
apátridas. Ou a pátria das elites é
o lucro. Não importa o que seja necessário.
O comandante Rolim, fundador e ex-presidente da TAM (morreu
na queda de um helicóptero) dizia que o primeiro
mandamento da empresa era o lucro e nada justificava a perda
do lucro.
O apresentador
de um programa de baixo nível da tevê, José
Luís Datena, na quarta-feira, 25 de julho, defendeu
a modernização das Forças Armadas brasileiras
com o argumento que estamos cercados de “malucos”.
Referia-se aos presidentes Hugo Chávez e Evo Morales,
da Venezuela e Bolívia respectivamente.
O ex-governador
de São Paulo, Cláudio Lembo, democrata, logo
insuspeito, afirmou que a “ELITE BRANCA e PODRE se
junta para, mais uma vez, tentar um GOLPE DE ESTADO no Brasil.”
Laerte
Braga
Esta é,
na íntegra, a coluna da jornalista Mônica Bérgamo,
no jornal FOLHA DE SÃO PAULO, co-partícipe
do golpe, publicada na edição de hoje, 26
de julho, com o título Moral e Cívica:
“Representantes da Fiesp, de bancos, de publicitários
e de alguns meios de comunicação fizeram reunião
anteontem no escritório do empresário João
Doria, em SP, para finalizar o lançamento de um "Movimento
Cívico" no Brasil. Preocupados com a possibilidade
de se colocar frontalmente contra o governo Lula - ou, como
diz o informe produzido por um dos presentes ao encontro,
"para evitar conotações políticas"-,
ficou decidido que a única entidade que assinará
a campanha será a OAB.
MORAL 2 As
propostas do já batizado "Movimento Cívico"
são: marcar um minuto de silêncio para o dia
17 de agosto, um mês depois da tragédia de
Congonhas; elaborar peças publicitárias para
TV e rádio, convocando as pessoas para o ato com
frases como "cansei de corrupção",
"cansei de apagão aéreo", "cansei
de bala perdida"; criar blog de protesto na internet.
MAPA O esforço
para caracterizar o movimento como iniciativa da OAB foi
em vão: o governo Lula está sendo informado
de cada passo da manifestação, e daqueles
que a organizam”.
Lembra a
Marcha da Família com Deus pela Liberdade e que resultou
no golpe de 1964, hoje, sabidamente, sob influência
direta do governo Lyndon Johnson, à época
nos EUA e coordenado pelo embaixador norte-americano/texano
no Brasil, Lincoln Gordon.
Documentos
liberados semana passada naquele país, existe lá
uma lei que torna públicos os documentos secretos
após determinado tempo, comprovam isso e detalham
as operações de intervenção
externa, norte-americana/texana no Brasil, através
dos mesmos setores de hoje e das Forças Armadas.
Há
uma realidade de tempo e espaço diferente, mas há
um projeto golpista. Pela primeira vez na história
do País empresários sonegadores, quadrilheiros,
estão sendo presos e processados. A Polícia
Federal tem desmontado quadrilhas de figuras que sempre
estiveram à margem da lei, impunes e protegidas pelos
donos do poder.
A forma como
a campanha pretende ser conduzida é um insulto e
um desrespeito aos mortos no acidente com o avião
da TAM. Já se sabe com segurança que os aviões
da TAM têm apresentado defeitos sistematicamente.
Que as revisões e o setor de mecânica foram
relegados a segundo plano e que é grande a debanda
de pilotos e mecânicos da empresa temerosos das condições
em que são obrigados a voar.
O deputado
federal Efraim Filho, dos democratas, foi a Washington com
outro deputado e lá afirmou que a caixa preta revelava
que a pista não tinha condições de
pouso. Foi desmentido pelos peritos de lá, pela Aeronáutica
brasileira e um comunicado oficial do instituto norte-americano/texano
que examina a caixa preta anunciou que conclusões
só dentro de dez meses. O JORNAL NACIONAL deu amplo
destaque às declarações do deputado.
Não deu destaque ao desmentido.
O deputado
também não falou por si, é inexpressivo.
Falou pelos que tramam o golpe. E falou sabendo que encontraria
eco na mídia golpista. É só lembrar
a forma como a GLOBO tratou o acidente com o avião
da GOL. Deixou de noticiá-lo para dar destaque ao
dossiê falso montado contra Lula e com o objetivo
de forçar um segundo turno e a eleição
de Geraldo Alckmin (envolvido em casos de corrupção
em São Paulo, admitidos pelo próprio governo
José Serra).
Um capitão
da Infantaria do Exército enviou carta pública
repudiando as declarações do ministro Olímpio
Pereira da Silva Júnior e declarando que as Forças
Armadas foram enganadas em 1964 e não se prestarão
a um novo golpe contra a democracia, acima de tudo contra
a vontade popular que reelegeu Lula.
Não
há dúvidas quanto à necessidade de
reequipar e modernizar as Forças Armadas brasileiras.
A importância de recuperar o controle sobre a EMBRAER
(privatizada por FHC e fundamental para o País),
do espaço aéreo amazônico, entregue
por FHC na concorrência fraudulenta do SIVAM (foi
abafada à época, mas custou um cargo a um
ministro envolvido no assunto).
A campanha
golpista de empresários, bancos, mídia, tem
um objetivo claro. Terminar o processo de entrega do Brasil
e aproveitar fatos lamentáveis como o acidente com
o AIRBUS da TAM para neste momento, privatizar aeroportos
e todo o espaço aéreo brasileiro.
A Peugeot,
indústria automobilística, subsidiada com
dinheiro público, lançou e tirou do mercado
uma campanha publicitária onde explorava o acidente
com o avião da TAM para dizer que é mais seguro
viajar de carro, de preferência os que fabrica. Insinuou-se
que o governo Lula teria feito pressão. A empresa
acabou admitindo que o filme saiu do ar por ser ofensivo
aos mortos e suas famílias. Isso por ter havido reação,
do contrário teria ficado.
Privatizar
aeroportos e espaço aéreo significa abrir
mão da independência, da soberania, significa
repudiar e violentar a vontade popular como se um ministro
do STM tivesse ou tenha o poder de definir o que é
ou não democracia, o que é ou não bom
para o País e os brasileiros.
O avanço
sobre o Brasil não se dá pelos governos da
Venezuela ou da Bolívia. Vem pelo controle da Amazônia
exercido pelos norte-americanos/texanos, pelo absurdo das
acusações de terrorismo na região de
Foz do Iguaçu, onde está localizado o quinto
maior reservatório de água doce do mundo,
o Aquífero Guarani. Ou pela pressa no controle da
base de lançamentos de Alcântara.
É
fundamental que as Forças Armadas sejam reequipadas.
É de suma importância que a Marinha Brasileira
conclua o projeto de construção de submarinos
movidos a energia nuclear, que o Exército disponha
de toda uma estrutura para a garantia do melhor desempenho
de suas funções constitucionais e assim a
Aeronáutica.
Isso implica
em respeitar a vontade popular e a vontade popular reelegeu
Lula sem que o presidente tivesse que comprar um único
deputado ou senador para aprovar a emenda constitucional
que permitiu a reeleição. Ao contrário
de FHC.
O golpe é
um processo em marcha, construído por empresários
(paulistas principalmente), bancos, agências de publicidade,
mídia e setores do capital internacional, por enquanto
com discreto apoio norte-americano/texano, mas sempre decisivo
nesses assuntos.
O perigo
para o Brasil não está em Chávez ou
Evo Morales como quis dizer o apresentador um programa de
péssimo nível da tevê brasileira (como
muitos). Está nos donos do capital e em Washington,
capital dos Estados Unidos do Texas.
O que esses
setores golpistas representam é isso aí. A
soma da barbárie e da violência que se vê
no Iraque, no Afeganistão, em várias partes
do mundo, na prisão/campo de concentração
de Guantánamo. A longa noite de tortura e violência
que todos puderam ver recentemente no filme Zuzu Angel.
Quem viu
sabe o que é a “democracia” a que se
referiu o ministro Olímpio Pereira da Silva Júnior.
Quem não viu deveria ver para não se iludir
com a GLOBO e a tal mídia “independente”.
Ari Toledo um dia usou a expressão “inda-é-pendente”.
Continua
valendo.
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