11/10/06
Brasil - Um simpático peixe que, graças a um escafandro
cheio d’água, se aventura no mundo seco e no molhado
é o primeiro personagem de animação brasileiro
que os fãs do Discovery Kids poderão ver na TV.
Acostumadas com ótimas, porém sempre estrangeiras,
séries, a molecada brasileirinha vai ganhar em 2008 o "Peixonauta".
A idéia
parece simples, mas exigiu anos de trabalho da TV PinGuim. TV
PinGuim? Nunca ouviu falar? Não se admire. Produtoras independentes
brasileiras, de cinema e TV, geralmente ficam relegadas aos bastidores.
A situação começou a mudar em 2005, quando
uma ofensiva liderada pela Secretaria do Audiovisual e pela Associação
Brasileira de Produtores Independentes de TV, em parceria com
Sebrae e Agência de Promoções de Exportação
(Apex), começou a promover o Brasil e fechar negócios
com diversos países em eventos como o MipCom, maior mercado
de TV do mundo, que ocorre nesta semana em Cannes.
A TV PinGuim é
uma das produtoras de animação brasileira de maior
destaque no exterior, responsável por várias séries
de vinhetas para o Cartoon Network e vencedoras de prêmios
em festivais como Animamundi e New York Festival. Em setembro,
foi uma das homenageadas do International Animation Festival,
em Otawa. "Peixonauta" (Fishtronaut em inglês)
tem orçamento digno de cinema, US$ 4,8 milhões,
e terá 52 episódios de 11 minutos cada. A novidade
é que, além de ter sido vendida para a Discovery
Kids, está sendo produzida em parceria com a Nelvana, a
mais importante produtora de animação do Canadá.
Além de
"Peixonauta", a TV PinGuim tem outro projeto em andamento:
"Magnitika", outra co-produção com a canadense
VivaVision, com orçamento de US$ 4 milhões e que
também deve entrar no ar em 2008. "Loucura. Estamos
há tanto tempo com os dois projetos e eles vão acabar
ocorrendo ao mesmo tempo", comenta Kiko Mistrorigo, que fundou
a TV PinGuim em 1989 com Celia Catunda.
Não por
acaso, a equipe da TV PinGuim participa do MipCom nesta semana.
"Estamos aqui para tentar fechar contrato do ´Peixonauta´
com a Discovery internacional e para a americana", conta
Kiko. "Já para o ´Magnitika´ vamos nos
reunir com co-produtores canadenses e franceses", diz Celia.
O exemplo de co-produção internacional da TV PinGuim
é emblemático. "É uma questão
de produção interessante porque no Brasil podemos
produzir sem ter uma TV exibidora. No Canadá, não.
Precisa ter TV em parceria. É uma união perfeita",
acrescenta Célia. Kiko lembra: "Temos vantagem. Não
somos nem países orientais, que têm mão-de-obra
barata mas diferenças culturais imensas com os canadenses;
nem os europeus, que têm proximidade cultural, mas com mão-de-obra
cara. Temos de tirar proveito disso."
E os brasileiros
estão provando que não perdem boas oportunidades.
Em 2005, a companhia de dança de Ivaldo Bertazzo foi tema
do documentário "The Citizen Dancer", co-produção
canadense com a brasileira Bossa Nova Filmes, que já tem
vários outros projetos em andamento. "Cinema tem glamour.
Mas a TV alcança milhões de pessoas em minutos.
Além disso, tem um tempo de exibição enorme",
comenta Kiko. Próximo passo: convencer alguma TV brasileira
a apostar em "Peixonauta".
(Agência
Estado)