Orquestra
de Montreal abre amanhã Rio Cello Encounter
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Agência
Estado 06/08
O
público brasileiro vai ter a oportunidade de
apreciar o repertório e a performance de uma
orquestra de câmara canadense que é tida
como uma verdadeira superstar do circuito de música
erudita internacional. Com um currículo impressionante
de prêmios, críticas elogiosas, discos
gravados e de turnês realizadas mundo afora, a
Orquestra de Câmara de Montreal I Musici toca
amanhã (7) no Copacabana Palace, no Rio, abrindo
a programação do Rio Cello Encounter.
Em
seguida, fará apresentações em
Volta Redonda, São José dos Campos, São
Paulo, Aracaju, Maceió, Campinas, São
Caetano do Sul, Vitória, Florianópolis,
Joinville e Porto Alegre.
Quem
é do ramo, seja músico, crítico
ou apreciador do gênero erudito, já deve
conhecer a reputação de excelência
que esse grupo desfruta internacionalmente. Porém,
o que pouca gente sabe é que o mesmo alto desempenho
obtido em relação à qualidade musical
se reproduz também no modelo de gestão
empresarial, digamos assim, que esse grupo adotou para
se transformar num negócio saudável, rentável
e cada vez menos dependente das subvenções
oficiais.
O
orçamento da Orquestra de Câmara de Montreal
I Musici para a temporada 2006/2007 é de 2,5
milhões de dólares canadenses (cerca de
US$ 2,2 milhões), dos quais 35% são garantidos
por diferentes fontes governamentais de âmbito
federal e provincial. “Os outros 65%”, explica
seu diretor-geral Davis Joachin, “temos de arrancar
na unha, achar na rua, isto é, disputando palmo
a palmo um mercado altamente competitivo, exigente e,
diga-se, muito bem servido de talentos e de opções,
em matéria de repertório clássico,
tanto aqui no Canadá quanto no restante do mundo.”
O
fator de qualidade e de diferenciação
da Orquestra de Câmara de Montreal I Musici baseia-se
principalmente no talento e na alma do violoncelista
e maestro Yuli Turovsky, que fundou o grupo e se mantém
à frente dele desde 1983, na seqüência
de uma carreira precoce e virtuosa iniciada na Rússia
e estendida depois para o Canadá, para onde imigrou
em 1979, logo obtendo sua nova cidadania. Ativo, apaixonado,
carismático e incansável, Turovsky divide
seu tempo como maestro com a cátedra na Universidade
de Montral, onde já formou uma geração
inteira de violoncelistas de renome.
Turovsky
mantinha um duo com a sua mulher, a violinista Eleonora
Turovsky (que, com a filha, Natatasha, também
violinista, participara da turnê no Brasil) e
o Trio Borodine, criado em 1977 e do qual se desligou
para se dedicar exclusivamente às atividades-solo
e à sua orquestra. Como se não bastasse,
ele ainda respondeu por quatro anos pela direção
artística do Centro de Artes Oxford, onde lançou
um prestigiado concurso para jovens talentos.
Segundo
Joachin, Turovsky rege a maior parte do tempo e o faz
de maneira personalíssima, sempre descobrindo
um novo approach ou um viés criativo e rico de
sensibilidade para as obras de sua preferência,
quase sempre de autores russos. Foi ele quem adotou
o conceito de “orquestra mozartiana”, segundo
o qual a quantidade de componentes permanece mais ou
menos fixa entre 26 e 32 músicos. Além
do mais, todos atuam de pé.
Ao
adotar esse estilo, explica Davis Joachin, Turovsky
quis oferecer ao seu público um novo look e,
ao mesmo tempo, pretendeu gerar uma certa tensão
entre a platéia e o palco, por meio de uma nova
filosofia de movimentos e de ocupação
de espaço, bem mais livre, mais solta, menos
contida e formal, sobretudo por se tratar de uma orquestra
de câmara, cuja natureza é bem mais intimista.
O
cardápio musical que a Orquestra de Câmara
de Montreal oferece aos seus públicos (desde
os bebês até os mais idosos) é personalizado
e diferenciado, mas, como explica Davis Joachin, sem
jamais colocar em risco a reputação de
qualidade, fidelidade e respeito que compõe o
principal ativo do grupo. “Nós estamos
sempre inovando, mostrando algum diferencial, e isso
por um raciocínio tão simples quanto pragmático:
durante as temporadas canadenses, por exemplo, um concerto
assinado I Musici compete com 30 outros eventos que
ocorrem numa mesma noite somente em Montreal, e cada
um deles de bom ou excelente nível.”
“Isso
significa”, prossegue ele, “uma oferta ao
público de 90 mil ingressos por mês, ou
seja, uma loucura atrair ouvintes e espectadores para
o seu show, seu espetáculo, sua apresentação
e evitar que eles caiam na tentação de
fazer uma escolha diferente.” O caminho, diz Davis
Joachin, foi “aproximar-se mais das pessoas, utilizar
com mais inteligência, criatividade e eficácia
as ferramentas de marketing e comunicação
disponíveis, prospectar os mercados potenciais
e gerir todos os processos com extrema disciplina e
foco bem apurado”.
Esse
mix de planejamento estratégico rigoroso, de
inteligência aplicada ao marketing e à
comunicação, de apuro quanto à
qualidade e de relação empática
com o público, sem barreiras e sem arrogâncias,
renderam bons frutos. “Nosso índice de
fidelização do nosso público gira
em torno de 80%, o que reconhecemos ser uma performance.
Em outras palavras, isto significa que o cliente que
compra nosso produto pela primeira vez, compra-o uma
segunda vez e tornará a comprá-lo muitas
e muitas vezes.”
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